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Vulcão inativo há 700 mil anos volta a mostrar atividade

Por Leticia Florenço
22/10/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Vulcão Taftan - Reprodução

Vulcão Taftan - Reprodução

O vulcão Taftan, situado no sul do Irã, surpreendeu pesquisadores ao apresentar indícios de atividade após aproximadamente 700 mil anos de inatividade.

O fenômeno, captado por satélites e confirmado por medições de campo, revela que o solo próximo ao cume começou a se elevar, um sinal clássico de movimentação subterrânea de gases e magma.

Entre julho de 2023 e maio de 2024, o solo no entorno do cume subiu cerca de 9 centímetros. Embora pareça pouco para a escala humana, tal variação é geologicamente significativa.

Os dados obtidos por satélites da Agência Espacial Europeia mostraram deformações entre 490 e 630 metros abaixo da superfície, enquanto o reservatório principal de magma permanece a aproximadamente 3,5 km de profundidade.

O levantamento indica acúmulo de gases e pressão interna crescente, características típicas de vulcões em possível reativação.

Estudo que reacendeu o alerta

A pesquisa foi conduzida pelo vulcanólogo espanhol Pablo Gonzáles e publicada em 7 de outubro na revista Geophysical Research Letters.

De acordo com Gonzáles, o Taftan deve ser considerado um vulcão dormente, ainda sem erupção ativa, mas com potencial para se manifestar no futuro. “Ele precisa se liberar de alguma forma no futuro, seja de forma violenta ou mais silenciosa”, afirmou o cientista, ressaltando a importância do monitoramento contínuo.

Com cerca de 3.900 metros de altitude, o Taftan é um vulcão composto, com cone íngreme formado por sucessivas camadas de lava e cinzas.

Localizado na província de Sistão e Baluchistão, no sudeste do Irã, a região é pouco populosa e distante de grandes centros urbanos, mas a presença de comunidades locais reforça a necessidade de vigilância geológica constante.

Da tranquilidade à suspeita

Em 2020, imagens de satélite não indicavam qualquer anomalia. No entanto, relatos nas redes sociais sobre emissões gasosas motivaram uma nova investigação. O resultado confirmou deformações no solo e a movimentação de gases, demonstrando que o vulcão ainda mantém atividade subterrânea.

Gonzáles e sua equipe utilizaram dados geodésicos, imagens térmicas e modelos tridimensionais para compreender o inflamento do solo e o comportamento do magma.

Apesar de não haver sinais de erupção, os pesquisadores enfatizam que o fenômeno deve servir como alerta para autoridades locais. Gonzáles reforçou que o estudo não visa gerar pânico, mas sim motivar recursos para análise contínua e prevenção de possíveis eventos naturais.

Importância da descoberta

O caso do Taftan contribui para a compreensão dos ciclos de reativação de vulcões, da interação entre magma profundo e gases superficiais e do uso de tecnologia satelital na prevenção de desastres naturais.

Ele reforça a necessidade de políticas de monitoramento geológico em regiões pouco estudadas, mesmo fora do tradicional “Círculo de Fogo do Pacífico”.

Ainda não é possível prever se o Taftan entrará em erupção novamente, nem quando isso poderia ocorrer.

O que se confirma é que o vulcão acordou parcialmente, lembrando que a natureza opera em escalas de tempo geológicas e que cada leve elevação no solo pode ser prenúncio de forças colossais em movimento sob nossos pés.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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