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Volkswagen decide demissão em massa após 10 anos de polêmica

Por Leticia Florenço
02/10/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Volkswagen - Reprodução

Volkswagen - Reprodução

A Volkswagen vive um momento de transformação institucional e cultural, quase uma década após o escândalo conhecido como Dieselgate, que abalou a indústria automobilística e custou bilhões à companhia.

A recente decisão de demitir 548 funcionários em diversos países mostra que a montadora adotou uma política de tolerância zero em relação à má conduta interna, sinalizando mudanças importantes em sua gestão corporativa.

O peso do Dieselgate na reputação da empresa

O escândalo de 2015 revelou que a Volkswagen havia manipulado testes de emissões em 11 milhões de veículos. Estima-se que o impacto financeiro da fraude tenha ultrapassado € 33 bilhões (R$ 186 bilhões), incluindo multas e compensações.

Mais de quatro ex-executivos foram condenados na Alemanha, com penas que variam de suspensão até quatro anos e meio de prisão. Documentos judiciais indicam que a manipulação já era conhecida internamente desde 2007, evidenciando um esquema hierárquico autoritário e institucionalizado.

Mudança cultural e política interna

Para evitar repetir erros do passado, a Volkswagen implementou medidas rígidas de compliance e transparência, incluindo:

  • Divulgação inédita de estatísticas sobre advertências e demissões;
  • Mais de 2.000 advertências em 2025 por faltas injustificadas e outras irregularidades;
  • Política de tolerância zero, mesmo para infrações consideradas “menores”;
  • Monitoramento ativo de conduta ética em todos os níveis da empresa.

Essas ações não apenas visam reforçar a disciplina interna, mas também transmitir confiança a investidores e consumidores, especialmente em mercados estratégicos de veículos elétricos.

Consequências e desafios futuros

Apesar da nova gestão focada em eletrificação, a Volkswagen ainda enfrenta julgamentos relacionados ao Dieselgate, incluindo mais de 30 ex-funcionários aguardando julgamento, entre eles o ex-CEO Martin Winterkorn.

A companhia também enfrenta o desafio de equilibrar cortes de custos e modernização tecnológica, com plano de redução de 35.000 empregos até 2030, enquanto tenta reconstruir sua reputação global e consolidar uma cultura corporativa ética.

A mudança cultural e as medidas que representam uma tentativa de reconstruir confiança tanto interna quanto externamente, preparando a empresa para uma nova era, mais sustentável e transparente.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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