Presente em praticamente todos os lares brasileiros, o feijão é um alimento nutritivo, versátil e essencial na dieta nacional.
Rico em fibras, ferro e proteínas vegetais, ele faz parte da tradicional combinação com arroz, formando um prato quase simbólico. Mas apesar de todos os seus benefícios, não é raro que algumas pessoas sintam desconfortos após consumi-lo, como gases, estufamento ou dor abdominal.
O motivo, embora pareça misterioso, tem explicação científica.
A culpa é dos compostos antinutricionais
O feijão, assim como outras leguminosas como lentilha, grão-de-bico, ervilha e soja, contém substâncias chamadas fitato e oligossacarídeos.
O fitato dificulta a absorção de minerais importantes como ferro e cálcio, enquanto os oligossacarídeos são carboidratos que o nosso organismo não digere completamente.
Quando esses compostos chegam ao intestino grosso, acabam sendo fermentados pelas bactérias que habitam essa região, e é justamente esse processo que produz gases.
A sabedoria das avós
A tradição de deixar o feijão de molho antes do cozimento tem base científica. Conhecido como remolho, esse processo é eficaz para reduzir a quantidade de fitatos e oligossacarídeos nos grãos.
O ideal é deixar o feijão de molho por um período de 12 a 48 horas em água filtrada, trocando a água ao menos uma vez nesse intervalo.
Após esse tempo, deve-se descartar essa água e cozinhar os grãos com uma nova. Isso não apenas torna o feijão mais digerível, como também melhora a textura e reduz o tempo de cozimento.
Cozinhar da maneira certa também faz diferença
Outro cuidado que ajuda bastante está no modo como o feijão é cozido. Ao iniciar o preparo, recomenda-se deixar a panela aberta nos primeiros minutos. Isso permite que se forme uma espuma branca na superfície, composta por resíduos solúveis que contribuem para a formação de gases.
Retirar essa espuma com uma colher e só depois tampar a panela contribui para um prato mais leve e menos fermentativo.
Microbiota intestinal e sensibilidade individual
Mesmo com todos esses cuidados, algumas pessoas continuam apresentando desconfortos. Isso pode estar ligado à microbiota intestinal, ou seja, ao conjunto de microrganismos que habitam nosso intestino.
Essa flora varia de pessoa para pessoa e é influenciada por diversos fatores, como alimentação, hidratação, sono e prática de exercícios. Quanto mais equilibrada for a microbiota, melhor será a capacidade do corpo de lidar com alimentos fermentáveis como o feijão.
Há também aqueles que, por características individuais, são naturalmente mais sensíveis a certos grupos alimentares.
Ao respeitar esses cuidados e conhecer melhor a própria digestão, é possível aproveitar todos os benefícios dessa leguminosa sem receios. Afinal, a chave está no modo de fazer, e não em deixar de comer.





