Na última semana, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impôs uma nova barreira ao comércio com o Brasil ao anunciar uma tarifa adicional de 50% sobre produtos brasileiros importados pelos EUA.
A medida, que passa a valer a partir de 1º de agosto, atinge em cheio setores importantes da economia nacional — entre eles, a exportação de carne bovina, que tem os EUA como seu segundo maior destino, atrás apenas da China.
O impacto direto dessa mudança pode ser sentido no bolso do consumidor brasileiro: com mais carne permanecendo no mercado interno, cortes como a picanha tendem a ficar mais baratos em um primeiro momento. Contudo, os impactos negativos na indústria a longo prazo tendem a ser maiores.
Valor da picanha pode cair para milhares de brasileiros por causa dos EUA
A sobretaxa anunciada faz parte de um pacote de medidas protecionistas e deve afetar diversos produtos brasileiros, mas o setor de carnes está entre os mais atingidos. Até agora, a carne bovina brasileira enfrentava uma tarifa de 10% para entrar no mercado norte-americano.
Com a nova taxação, o custo final do produto sobe significativamente, tornando-o pouco competitivo frente à carne local e de outros fornecedores internacionais. O resultado imediato é a inviabilidade econômica de continuar exportando aos EUA nos moldes atuais.
Com isso, grandes frigoríficos e produtores do Mato Grosso do Sul, um dos principais polos de produção bovina do país, anunciaram a suspensão das operações voltadas ao mercado americano.
Empresas como JBS, Naturafrig e Minerva já estão redirecionando a carne que seria exportada.
Após taxação dos EUA, carne deve ficar mais barata no mercado nacional
Sem possibilidade de venda externa para esse destino, parte da produção será absorvida internamente — o que pode gerar uma oferta maior nos açougues e supermercados, pressionando os preços para baixo.
Apesar de o aumento de estoque ser visto como temporário, ele pode ser suficiente para provocar uma redução nos preços de cortes nobres, como a picanha, que normalmente têm valores mais elevados por conta da alta demanda no mercado externo.
Especialistas avaliam que, se a carne não for rapidamente realocada para outros países, o mercado interno será o destino inevitável, ao menos no curto prazo.
Enquanto isso, seguem as tentativas diplomáticas de reverter ou amenizar a decisão americana. Autoridades brasileiras e representantes do agronegócio continuam em negociações com o governo dos EUA até o fim de julho.
Caso não haja recuo por parte de Washington, o Brasil já discute medidas de retaliação, o que pode escalar a tensão comercial entre os dois países.





