No final de dezembro de 2025, o Litoral Norte do Rio Grande do Sul foi palco da observação de um fenômeno atmosférico raro: os raios sprites. Essas descargas elétricas de grande altitude se formam acima das nuvens de tempestade e se projetam para a ionosfera, alcançando mais de 80 km de altura.
Diferentemente dos raios convencionais, que descem em direção à Terra, os sprites sobem, exibindo uma coloração avermelhada provocada pela excitação do nitrogênio na alta atmosfera. As imagens foram registradas pelo fotógrafo gaúcho Gabriel Zaparolli durante a passagem de um sistema de tempestade que atuava sobre o Nordeste de Santa Catarina e o Leste do Paraná.

Raios raros
As imagens capturam formas luminosas de curta duração, visíveis por apenas milésimos de segundo e muitas vezes imperceptíveis a olho nu. Entre os sprites, destacam-se os de formato “cenoura”, que apresentam esferas internas de luz com centenas de metros de diâmetro. Outros padrões incluem estruturas que lembram árvores ou águas-vivas, sempre direcionadas para cima.
Classificados como Eventos Luminosos Transitórios (TLE, do inglês Transient Luminous Event), os sprites foram fotografados acidentalmente pela primeira vez em 1989 e permanecem pouco compreendidos pela ciência. Pesquisas indicam que sua formação está ligada a descargas elétricas extremamente intensas, sobretudo raios positivos, e à interação de partículas subatômicas vindas do espaço com a alta atmosfera, capazes de gerar caminhos condutores para que a descarga se projete para cima.
Acontecimentos no Brasil
O recente registro ocorreu sobre um Complexo Convectivo de Mesoescala (CCM), formado por várias tempestades interligadas que podem se estender por horas e se originar de massas de ar quente e úmido. Esses sistemas costumam gerar eventos extremos, como chuvas intensas, ventos fortes, granizo e descargas elétricas.
No caso observado, o CCM progrediu do interior em direção ao litoral, com topos de nuvens alcançando mais de 15 km de altitude e temperaturas entre -70ºC e -90ºC. Embora raro no Brasil, fenômenos desse tipo já haviam sido registrados anteriormente na região Sul.






