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Trump sugere que outros países devem ser atacados além da Venezuela

Por Leticia Florenço
03/12/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Donald Trump - Reprodução

Donald Trump - Reprodução

A nova declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reacendeu temores sobre uma intervenção militar ampliada na América Latina.

Ao afirmar que “qualquer país que trafique drogas para os EUA pode ser alvo de ataque”, Trump não apenas reforçou a ameaça à Venezuela, já sob enorme pressão, mas abriu um flanco de tensão que agora atinge Colômbia, México, Peru, Bolívia e toda a região que integra as rotas do narcotráfico.

A fala, feita em tom categórico e repetida mais de uma vez em menos de 24 horas, marca um dos momentos de maior escalada na política externa americana desde o início de seu mandato.

A promessa de ataques terrestres “muito em breve”

Segundo Trump, os bombardeios terrestres contra alvos ligados ao narcotráfico começarão “muito em breve”. A justificativa apresentada é o impacto devastador das drogas sintéticas e da cocaína no território norte-americano, especialmente no número de mortes por overdose.

O presidente sustenta que, se os ataques a embarcações no Caribe já reduziram parte do fluxo ilegal, ofensivas por terra seriam ainda mais eficazes, uma vez que o governo dos EUA “sabe onde os traficantes vivem, por onde passam e como operam”.

Embora Trump não tenha citado diretamente a Venezuela na fala que gerou a nova onda de reações, o país continua sendo o epicentro da estratégia militar americana. Desde setembro, ataques contra barcos supostamente ligados ao tráfico já mataram mais de 80 pessoas, a maioria oriunda de território venezuelano.

Reportagem do Wall Street Journal aponta que alvos dentro da Venezuela já estão pré-selecionados, incluindo portos e aeroportos controlados pelos militares, acusados pelos EUA de servirem ao Cartel de Los Soles.

Maduro reage e tenta evitar o confronto

O governo de Nicolás Maduro acusa Washington de usar o narcotráfico como pretexto para desestabilizar a Venezuela e derrubar o regime.

O presidente venezuelano tem multiplicado apelos públicos por paz e chegou a propor, em conversas privadas com Trump, condições para uma transição política, rejeitadas pela Casa Branca. Para Caracas, o risco de um ataque direto é inédito e pode redefinir as relações geopolíticas no continente.

Colômbia entra no radar e a tensão cresce

Após mencionar a Venezuela como “provavelmente o pior caso”, Trump ampliou a crítica e apontou a Colômbia como um país que envia drogas para os EUA.

O presidente colombiano, Gustavo Petro, reagiu imediatamente, defendendo que seu governo destrói laboratórios todos os dias e que é justamente a Colômbia quem impede o fluxo de cocaína rumo ao norte.

A troca de declarações expõe uma turbulência diplomática inesperada entre um aliado histórico dos EUA e a Casa Branca.

Narcotráfico como justificativa estratégica

O Relatório Mundial sobre Drogas de 2025 confirma que Colômbia, Peru e Bolívia ainda respondem pela maior parte da cocaína que chega aos EUA, enquanto o México é a principal origem do fentanil que devasta o país.

Trump usa estes números para sustentar que a ameaça é transnacional e que, portanto, as operações militares também devem ser. Para ele, atacar barcos, laboratórios e grupos armados em território estrangeiro seria uma “medida de segurança nacional”.

O papel do secretário de Guerra e o discurso de força

Ao lado de Trump nas declarações, esteve o secretário de Guerra Pete Hegseth, figura controversa e já acusado de crime de guerra em outra operação militar. Hegseth reforçou o discurso de que “os americanos estão mais seguros porque os narcotraficantes sabem que serão mortos”.

A presença do secretário fortalece a percepção de que o governo americano não descarta ações de alto impacto e está disposto a expandir confrontos no hemisfério.

A ameaça de ataques em múltiplos países latino-americanos cria um ambiente de instabilidade generalizada, reacendendo memórias da política intervencionista dos EUA na Guerra Fria.

Países que não mantêm relações tensas com Washington agora se veem forçados a emitir notas, reforçar segurança de fronteiras ou reavaliar alianças, temendo entrar no raio de ação militar americano.

A cada nova declaração de Trump, cresce a sensação de que a América Latina está diante de uma fase crítica, em que qualquer movimento pode ser interpretado como provocação ou oportunidade estratégica.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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