O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou atenção ao responder seis vezes a mesma frase sobre um assunto delicado: a ausência de contato com Donald Trump após a imposição de sanções econômicas ao Brasil.
A repetição, “Eles não querem conversar”, acabou virando o símbolo da entrevista e expôs um clima de tensão diplomática.
As tarifas impostas pelos Estados Unidos foram aplicadas sem aviso prévio ou qualquer tentativa de negociação formal. Lula classificou a atitude como desrespeitosa e hostil, ressaltando que não aceitaria “decisões publicadas no jornal” como substituto para um canal diplomático sério.
Seis perguntas, uma resposta repetida
Durante a coletiva, jornalistas insistiram em saber por que o presidente não tentou um contato direto com Trump. Lula respondeu de forma idêntica em quase todas as vezes: “Eles não querem conversar”. Apenas na quinta pergunta admitiu que não telefonou, mas justificou que não havia disposição da outra parte para o diálogo.
Lula reforçou críticas históricas ao modo de agir dos Estados Unidos, que, segundo ele, tomam decisões unilaterais e ignoram práticas diplomáticas de respeito mútuo. O episódio das tarifas foi usado como exemplo de arrogância e imposição política.
A versão de Trump
Do outro lado, Trump justificou as medidas afirmando que Jair Bolsonaro estaria sendo vítima de perseguição política no Brasil. Para o presidente americano, a condenação de Bolsonaro representaria um colapso democrático.
Lula rebateu de forma direta, dizendo que o Brasil “tem muita democracia” e que as instituições funcionam normalmente.
Ao ser questionado se mantém alguma relação com Trump, Lula foi categórico: “Não tem relação”. A frase fechou a entrevista com um recado claro de afastamento e deixou evidente que não há disposição para qualquer reaproximação.





