O e-commerce brasileiro enfrenta um caso preocupante, segundo a Visa Acceptance Solutions, as transações falsas no primeiro semestre de 2024 foram duas vezes maiores que as legítimas.
O valor médio das tentativas de fraude chegou a R$ 1,2 mil, 60% acima do tíquete médio das compras genuínas, que ficou em R$ 740. Além disso, 55% das fraudes ocorreram por meio de dispositivos móveis, indicando que smartphones e tablets são alvos estratégicos dos criminosos.
Estados mais afetados pelos golpes digitais
O levantamento da Visa mapeou os estados que concentram o maior volume de fraudes, com destaque para São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia e Paraná.
Essas regiões, com grande atividade de e-commerce, atraem mais atenção dos criminosos, refletindo a vulnerabilidade de centros comerciais digitais movimentados.
Como os golpes acontecem
De acordo com Gustavo Carvalho, vice-presidente da Visa Added Services (VAS) no Brasil, os criminosos utilizam duas táticas principais. A primeira é o teste de cartão, no qual compras de baixo valor são feitas para checar se os dados de um cartão roubado estão ativos antes de aplicar golpes maiores.
A segunda é o roubo de contas, em que, através de engenharia social, golpistas assumem o controle de contas em lojas online e usam os dados de pagamento armazenados.
Carvalho reforçou que o modelo de zero trust é recomendado atualmente, pois nem mesmo clientes devem ser considerados automaticamente confiáveis, especialmente em acessos remotos via celular.
Inteligência artificial no combate às fraudes
A Visa investe pesado em inteligência artificial e aprendizado de máquina para detectar fraudes, aplicando mais de US$ 11 bilhões em tecnologia e segurança nos últimos cinco anos. O resultado foi o bloqueio de US$ 40 bilhões em fraudes em 2023.
Porém, os fraudadores também têm evoluído: eles criam dados sintéticos, combinando informações reais com dados falsos gerados por IA, e utilizam deep fakes para enganar consumidores, promovendo produtos e serviços fraudulentos.
Carvalho alertou ainda para a chegada de ataques personalizados, direcionados a pessoas dentro da rede de contatos das vítimas.
Reação das autoridades e medidas preventivas
O aumento das fraudes digitais motivou ações de cooperação entre governo e setor financeiro. O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e a Febraban firmaram parceria para combater golpes em transações digitais.
Internacionalmente, a União Europeia cobrou empresas como Apple, Google e Microsoft sobre a proliferação de fraudes no ecossistema digital, que já causaram prejuízos superiores a 4 bilhões de euros.
A lição para consumidores e empresas
O cenário evidencia que o e-commerce no Brasil se tornou terreno fértil para fraudes sofisticadas. Investir em sistemas de detecção baseados em IA, adotar o modelo zero trust e educar os usuários sobre phishing e engenharia social são medidas essenciais para reduzir riscos.
À medida que a tecnologia avança, os fraudadores também se reinventam, tornando a vigilância constante uma necessidade para empresas e consumidores.





