Considerado um dos órgãos mais complexos do corpo humano, o cérebro é responsável não apenas pelo controle de funções vitais, como a respiração e os batimentos cardíacos, mas também por processos como o raciocínio e a memória.
Inclusive, justamente por conta de ações ligadas ao pensamento e cognição, muitas pessoas acreditam que o órgão se desenvolve de maneira linear, passando por constantes transformações ao longo do tempo. Contudo, pesquisas recentes revelaram um processo totalmente inesperado.
Isso porque, conforme divulgado pela revista científica Nature Communications, cientistas da Universidade de Cambridge descobriram que, na realidade, o cérebro sofre apenas quatro grandes modificações estruturais em momentos específicos, marcados pelo avanço da idade.
Os resultados foram obtidos por meio da análise de quase 4 mil ressonâncias magnéticas de indivíduos entre zero e 90 anos, que revelaram a existência das transições que alteram totalmente a arquitetura das conexões neurais. São elas:
- Do nascimento até os primeiros 9 anos de idade, o cérebro passa a construir uma quantidade massiva de conexões entre neurônios, dando origem a uma rede neural mais sofisticada, ao mesmo tempo em que descarta as que não possuem mais utilidade prática;
- Posteriormente, até os 32 anos, o órgão combina a estabilização progressiva das principais vias de comunicação cerebral com as características convencionais da plasticidade neuronal elevada;
- Entre os 32 e 66 anos, o cérebro mantém uma arquitetura relativamente estável, pois assumiu a configuração característica da maturidade plena. Contudo, ainda há espaço para pequenas modificações graduais;
- Por fim, após os 66 anos, as conexões entre regiões cerebrais distantes começam a enfraquecer enquanto redes locais se fortalecem. Já a partir dos 83 anos, a comunicação se torna predominantemente localizada, embora fatores como estímulos cognitivos e hábitos saudáveis possam mitigar os efeitos das mudanças.
Transformações no cérebro não representam impedimentos no aprendizado
É importante destacar que, embora o estudo esclareça o motivo por trás do surgimento de problemas de memória e dificuldades de aprendizado em determinadas faixas de idade, ele não determina períodos para que o cérebro “pare de funcionar”.
Isso significa que, independentemente da estrutura do órgão, ainda é possível continuar aprendendo coisas novas em qualquer faixa etária. Contudo, caso necessário, é fundamental recorrer a intervenções, terapias e estratégias que podem facilitar o processo.





