A produção de tilápia, um dos pilares da piscicultura nacional, pode sofrer um duro golpe nos próximos meses.
Uma proposta que tramita no governo federal pretende incluir a espécie na lista de exóticas invasoras, o que, na prática, poderá levar à proibição do seu cultivo em todo o território brasileiro.
A ideia partiu de uma comissão ligada ao Ministério do Meio Ambiente e já está em fase de discussão entre representantes do setor pesqueiro e autoridades ambientais.
Tilápia pode ser proibida no Brasil nos próximos meses
A proposta foi apresentada pela Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio), que integra o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.
O documento, discutido em uma reunião do Conselho Nacional de Aquicultura e Pesca (Conape) no início de outubro, defende que a tilápia representa uma ameaça ao equilíbrio ecológico de ambientes aquáticos no Brasil.
O argumento central é que, por ser uma espécie introduzida, originalmente vinda da África, e com alta capacidade reprodutiva, ela pode escapar dos criadouros e se espalhar por rios, represas e lagos, competindo com espécies nativas, alterando a cadeia alimentar e comprometendo a qualidade da água por meio da concentração de nutrientes.
Além dos riscos de invasão ambiental, o relatório apresentado pela comissão também critica o modelo de produção intensiva adotado no país.
Segundo os dados citados, o uso excessivo de rações industrializadas, ricas em fósforo e nitrogênio, tem provocado episódios de eutrofização em áreas próximas a viveiros, especialmente em regiões com presença de grandes reservatórios hidrelétricos, como é o caso de Itaipu.
Isso é preocupante porque a eutrofização provoca a proliferação descontrolada de algas e plantas aquáticas e diminui os níveis de oxigênio na água, causando a morte de peixes.
Proibição da tilápia é criticada por produtores brasileiros
Caso a proposta avance, o cultivo da tilápia poderá ser restringido ou até mesmo proibido, afetando diretamente a cadeia produtiva que, em 2024, respondeu por quase 70% da produção aquícola nacional, o equivalente a mais de 660 mil toneladas.
Para os produtores, a medida é vista como desproporcional e prejudicial a um setor já consolidado, que gera empregos e movimenta bilhões de reais anualmente.
A Associação de Piscicultores em Águas Paulistas e da União (Peixe SP) se posicionou contra a iniciativa. Em nota, a entidade destacou que a tilápia é criada sob rigoroso controle ambiental e sanitário, com licenciamento e tecnologia apropriada.
Para os representantes do setor, classificar a espécie como invasora seria um retrocesso que traria impactos socioeconômicos severos, sem resolver os reais desafios ambientais enfrentados pela aquicultura brasileira.





