Um terremoto de magnitude 6 atingiu o leste do Afeganistão na noite de domingo (31), surpreendendo milhares de famílias que dormiam em vilarejos frágeis e sem estrutura adequada para suportar o impacto de um abalo tão forte.
O tremor deixou mais de 800 mortos confirmados e ao menos 2.500 feridos, segundo autoridades locais, que alertam para a possibilidade de os números aumentarem nas próximas horas. O desastre reacendeu a lembrança de outros abalos recentes que já devastaram a região nos últimos anos.
Regiões mais afetadas
As províncias de Kunar e Nangarhar registraram o maior número de vítimas, com centenas de mortos e feridos. O epicentro foi localizado pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos a 42 quilômetros de Jalalabad, capital de Nangarhar, a apenas oito quilômetros de profundidade, o que potencializou a força do abalo.
Além dessas áreas, tremores foram sentidos com intensidade em Nuristão, Laghman e até mesmo em Cabul, a capital, onde prédios balançaram e a população correu para as ruas em busca de segurança.
Após o tremor principal, outras duas réplicas de magnitude 5.2 abalaram novamente a região, espalhando ainda mais medo entre os moradores. Famílias inteiras passaram a noite ao relento, temendo que novos abalos derrubassem casas que já apresentavam rachaduras e fragilidade estrutural.
Operações de resgate
As operações de resgate começaram nas primeiras horas da manhã, mas enfrentam enormes dificuldades. Deslizamentos de terra bloquearam estradas que ligam comunidades inteiras, impedindo a chegada de veículos de socorro.
Militares e voluntários tentam abrir passagem em meio a escombros e montanhas de terra, enquanto helicópteros transportam feridos graves para hospitais em Jalalabad e Cabul.
O Ministério da Defesa do Talibã confirmou que mais de 40 voos foram realizados até agora, transferindo mais de 420 vítimas entre mortos e feridos.
Ajuda humanitária mobilizada
Diante da dimensão da tragédia, organizações humanitárias iniciaram uma resposta emergencial. O Crescente Vermelho afegão enviou equipes médicas para Kunar, enquanto a missão da ONU e o UNICEF destacaram profissionais e recursos para oferecer atendimento imediato às famílias atingidas.
Crianças e idosos estão entre os grupos mais vulneráveis e necessitam de cuidados urgentes. As autoridades locais também anunciaram que todas as equipes de segurança, saúde e assistência social foram mobilizadas para enfrentar o impacto do desastre.
Histórico de tragédias na região
O Afeganistão está localizado em uma das áreas sísmicas mais ativas do planeta, a cordilheira Hindu Kush, onde as placas tectônicas da Índia e da Eurásia se encontram.
Nos últimos anos, o país já foi palco de grandes tragédias: em 2023, mais de 1.500 pessoas morreram em uma série de abalos sísmicos; em 2022, outro tremor de magnitude 6.1 deixou ao menos mil mortos.
Agora, mais uma vez, a população enfrenta a dura realidade de conviver com a instabilidade geológica somada às dificuldades sociais e políticas.
Expectativas e próximos passos
O Talibã declarou que “todos os recursos disponíveis” estão sendo direcionados para salvar vidas e reduzir os danos, mas a dimensão da catástrofe levanta dúvidas sobre a real capacidade de resposta do governo local.





