Desde o início da pandemia, profissionais de saúde e pacientes têm enfrentado desafios diante de sintomas prolongados — como fadiga extrema, dores nas articulações, alterações neurológicas e dificuldade de concentração — característicos da chamada covid longa.
Buscando alternativas viáveis para esse cenário, um grupo de médicos e pesquisadores brasileiros desenvolveu uma proposta terapêutica inédita, acessível e de aplicação simples, voltada ao tratamento da síndrome pós-Spike (PSS), condição associada à permanência da proteína Spike do coronavírus no organismo, seja após a infecção natural ou como resposta às vacinas de tecnologia mRNA.
Nova terapia
Publicado na revista IDCases, o estudo analisou pacientes com polimialgia reumática, neuralgia do trigêmeo, epilepsia refratária e dermatites atípicas que não responderam a tratamentos convencionais. Esses pacientes mostraram melhora significativa ao adotar um novo protocolo que combina ciprofloxacino, probióticos, nattokinase e ivermectina.
A terapia incluiu quatro etapas: ciprofloxacino por cinco dias contra bactérias resistentes; probióticos com Bifidobacterium e Lactobacillus por 90 dias; nattokinase (100 mg, duas vezes ao dia) para a microcirculação; e ivermectina ajustada ao peso, três vezes por semana por dois meses. De acordo com os pesquisadores, a combinação contribuiu para restaurar a microbiota intestinal, reduzir inflamações e combater possíveis reservatórios da proteína Spike.
Pós-covid
Os casos analisados sugerem que a proteína Spike pode desencadear inflamações prolongadas, especialmente no intestino, com impacto na microbiota e possível ativação de respostas autoimunes e vasculites. Diante disso, os pesquisadores destacam o papel essencial da flora intestinal na regulação imunológica.
Apesar dos resultados promissores da terapia, os autores reforçam a necessidade de estudos maiores e mais controlados, além de alertarem para a importância do acompanhamento atento de sintomas pós-covid, muitas vezes negligenciados.
O estudo também defende hábitos saudáveis e o uso adequado de probióticos como medidas preventivas, e abre espaço para o avanço de terapias personalizadas voltadas a pacientes com sintomas persistentes mesmo anos após a pandemia.






