A partir de janeiro de 2026, uma mudança vai alterar a relação de milhares de servidores públicos de Goiás com o plano de saúde do Ipasgo.
Pela primeira vez, dependentes passarão a contribuir mensalmente, encerrando um modelo histórico em que o valor pago pelo titular era o mesmo, independentemente do número de pessoas incluídas no plano.
A nova cobrança inaugura uma fase de ajustes financeiros, debates políticos e preocupação entre famílias que dependem do serviço.
Fim da mensalidade única para todo o grupo familiar
Durante anos, o Ipasgo funcionou com uma lógica simples: o servidor pagava uma mensalidade fixa e podia incluir dependentes sem custos adicionais diretos.
Esse formato, segundo o governo estadual, tornou-se insustentável diante do aumento de despesas médicas, do envelhecimento da carteira de usuários e da necessidade de garantir a continuidade do atendimento.
Com a nova regra, cada dependente passa a ter uma contribuição própria, calculada com base na idade, o que muda completamente o planejamento financeiro de muitas famílias.
Valores variam conforme idade e tipo de acomodação
A cobrança mensal dos dependentes seguirá uma tabela atuarial, prática comum em planos de saúde privados. Os valores definidos vão de R$ 50 a R$ 332, sempre respeitando o limite de não ultrapassar o valor pago pelo titular.
- Plano com enfermaria: Mensalidades entre R$ 50,67 e R$ 221,39
- Plano com apartamento: Valores entre R$ 58 e R$ 332,68
Quanto maior a idade do dependente, maior será a contribuição, refletindo o custo médio de utilização dos serviços de saúde.
Outra mudança relevante está na forma de custeio. A partir de 2026, os dependentes passarão a arcar com 30% do valor do plano, enquanto o Ipasgo continuará cobrindo 70%. De acordo com o governo, essa divisão busca tornar o sistema mais equilibrado e previsível, evitando déficits futuros.
Projeto aprovado, mas com forte resistência
A nova regra foi aprovada pela Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) por meio do Projeto de Lei nº 30892/25, de autoria do Executivo estadual. O placar da votação evidenciou o clima de tensão: 25 votos favoráveis, 7 contrários e 9 parlamentares presentes.
Deputados da oposição classificaram a medida como um duro golpe para os servidores, especialmente aqueles com famílias maiores ou dependentes idosos.
Críticas sobre impacto no orçamento familiar
Uma das críticas mais contundentes partiu da deputada Bia de Lima (PT), que lamentou a aprovação do projeto. Segundo ela, a cobrança representa um peso adicional no orçamento doméstico de milhares de trabalhadores, em um cenário já marcado por custos elevados com moradia, alimentação e transporte.
Para a oposição, a mudança transfere para os servidores uma conta que deveria ser assumida pelo Estado.
Já a base governista sustenta que a decisão é inevitável. O deputado Amauri Ribeiro (UB) argumentou que nenhum plano de saúde consegue se manter financeiramente sem a participação dos dependentes.
Na avaliação do governo, a nova cobrança não é apenas um ajuste contábil, mas uma estratégia para garantir a sobrevivência do Ipasgo e a continuidade do atendimento médico.
O que muda na prática a partir de 2026
Com a entrada em vigor das novas regras, servidores terão que reavaliar a permanência de dependentes no plano, comparar custos e decidir se mantêm todos os vínculos.
A expectativa é de que a medida gere economia para o sistema, mas também provoque reorganizações familiares e possíveis questionamentos judiciais.





