Quem costuma ir ao supermercado já conhece bem a cena: frutas, verduras e legumes sendo separados em pequenos sacos plásticos transparentes antes de irem para o carrinho. Esse costume, repetido diariamente por milhões de pessoas, pode estar com os dias contados.
A preocupação crescente com o impacto ambiental do plástico descartável levou governos e redes varejistas a repensarem o uso desses saquinhos, considerados um dos itens mais difíceis de reciclar no comércio.
A decisão que já tem data para entrar em vigor
Em Portugal, o fim das sacolas plásticas leves usadas para hortifrúti já não é apenas uma proposta. O governo anunciou que esses sacos deixarão de ser utilizados a partir de 1º de janeiro de 2027.
A confirmação veio da ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, que defende uma transição gradual, focada mais na mudança de comportamento do consumidor do que na aplicação de punições ou taxas.
Mudança de comportamento em vez de cobrança extra
Diferentemente de outras medidas ambientais, a ideia não é criar novos impostos ou tarifas para quem utiliza plástico. O objetivo central é estimular consumidores e supermercados a adotarem alternativas reutilizáveis, tornando o descarte de sacos plásticos algo cada vez menos necessário.
Segundo o governo português, pequenas mudanças no cotidiano podem gerar grandes impactos ambientais ao longo do tempo.
Por que os sacos plásticos leves se tornaram um problema ambiental
Apesar de pequenos e aparentemente inofensivos, os sacos usados para frutas e legumes representam um desafio enorme para o meio ambiente. Por serem muito finos, raramente são reciclados de forma adequada e acabam acumulados em aterros, rios e oceanos.
Além disso, sua decomposição pode levar décadas, agravando a poluição e afetando a fauna e a flora.
O envolvimento das grandes redes de supermercados
A proposta já foi debatida com a Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição, que representa grandes redes de supermercados do país. O setor avalia a mudança de forma positiva, mas alerta para a necessidade de planejamento, investimentos e adaptação logística.
A expectativa é que as redes atuem como agentes ativos na conscientização dos consumidores.
Como devem funcionar as novas alternativas reutilizáveis
No lugar dos sacos descartáveis, a tendência é o uso de embalagens feitas de tecido leve, fibras recicladas ou plástico reaproveitado. Esses sacos podem ser utilizados diversas vezes, lavados e transportados com facilidade, incentivando o consumo mais consciente.
A proposta é que o consumidor compre uma vez e reutilize por longos períodos.
Ainda não há consenso sobre se os sacos reutilizáveis serão gratuitos. Representantes do setor varejista afirmam que há custos envolvidos na produção e distribuição, o que pode resultar em cobrança simbólica.
Mesmo assim, a intenção é que os valores sejam acessíveis e não se tornem um obstáculo para a adesão do público.
Quanto os consumidores podem pagar por essas alternativas
Algumas redes portuguesas já começaram a testar modelos reutilizáveis. Em supermercados como Pingo Doce e Continente, os preços variam entre alguns cêntimos e cerca de 1,50 euro, dependendo do material e da durabilidade. Sacos mais resistentes costumam ter valor maior, mas compensam pelo uso prolongado.
Em diversos países europeus, a substituição das sacolas plásticas já deixou de ser tendência e virou prática comum. No Brasil, ainda não existe uma regra nacional semelhante, mas iniciativas locais começam a surgir.
Em Belo Horizonte, por exemplo, alguns supermercados adotaram sacolas compostáveis como alternativa ao plástico tradicional.
Pesquisas indicam que os consumidores estão cada vez mais conscientes sobre os impactos ambientais. Um estudo publicado na SciELO revelou que a maioria considera o impacto do plástico muito relevante, grande parte está disposta a reduzir o uso e muitos já adotaram ecobags ou sacos reutilizáveis no dia a dia.






