A escassez de trabalhadores tem levado supermercados em todo o Brasil a repensarem suas práticas de recrutamento. Diante da dificuldade crescente para preencher milhares de vagas, empresas do setor estão adotando estratégias mais agressivas e diversificadas para atrair profissionais.
A mudança busca reverter um cenário que já começa a impactar o funcionamento cotidiano das lojas e comprometer o crescimento do segmento.
Supermercados mudam estratégia por falta de mão de obra
O problema dos supermercados, que também atinge os estabelecimentos um pouco menores, embora não seja novo, tem se intensificado nos últimos anos.
Mesmo com cerca de 350 mil postos de trabalho abertos em todo o país, as redes enfrentam dificuldades para encontrar candidatos, especialmente para funções operacionais como repositores, operadores de caixa, cozinheiros, padeiros e açougueiros.
A retração no desemprego, somada à preferência dos jovens por ocupações mais flexíveis, como entregas por aplicativos, tem afastado muitos da rotina rígida dos supermercados.
A tradicional porta de entrada no mercado de trabalho formal deixou de ser atrativa para boa parte da população economicamente ativa, que busca maior autonomia e qualidade de vida.
Esse descompasso entre oferta e demanda já provoca gargalos no atendimento ao público e pressiona o setor a acelerar contratações. Para enfrentar essa crise, grandes redes e associações supermercadistas têm apostado em iniciativas inovadoras.
Supermercados apostam em jovens recém-saídos do Exército e inscritos no CadÚnico
Uma das frentes mais promissoras é a parceria com o Exército Brasileiro, que visa integrar reservistas recém-saídos do serviço militar ao mercado civil. A expectativa é que o perfil disciplinado e jovem desses candidatos contribua para suprir as carências operacionais.
Outra aposta é a inclusão de beneficiários do Cadastro Único (CadÚnico), em colaboração com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS).
Grandes redes, como o Carrefour, reservaram vagas específicas para esse público, buscando ampliar o acesso ao emprego formal. Desde 2023, mais de 90 mil pessoas já foram contratadas por meio da iniciativa.
Além disso, ferramentas digitais também têm ganhado espaço. Plataformas como a Helppi, criadas para facilitar contratações rápidas e sob demanda, vêm sendo utilizadas para reduzir os custos e o tempo dos processos seletivos, conectando empresas a trabalhadores autônomos treinados online.
Enquanto o setor supermercadista se esforça para adaptar seus métodos, especialistas alertam que, mais do que preencher vagas, será necessário transformar o ambiente de trabalho, com benefícios claros, planos de carreira e flexibilidade, para reconquistar o interesse dos profissionais.





