A movimentação intensa de consumidores nas últimas semanas na loja do supermercado Nacional, em Montenegro, no Vale do Caí, tem um motivo fora do comum: uma grande liquidação de produtos marca o fim das atividades da unidade.
Após mais de três décadas em funcionamento, o supermercado está esvaziando as prateleiras e se preparando para fechar as portas definitivamente no dia 13 de setembro.
A ação não é isolada. A decisão faz parte de uma reestruturação nacional promovida pelo Grupo Carrefour Brasil, que adquiriu a rede Nacional e iniciou uma série de encerramentos em diferentes regiões do país.
Supermercado gigantesco faz liquidação de mercadoria para anunciar fechamento
Em Montenegro, a loja vinha sendo um ponto de referência para os moradores locais, tanto pela localização quanto pelo tempo de atuação. Agora, com os produtos sendo vendidos com descontos agressivos e setores já interditados por falta de estoque, o clima é de despedida.
A previsão é que o espaço seja assumido pela rede de supermercados Mombach, empresa regional que já atua com outras lojas na cidade.
O fechamento da unidade gaúcha reflete um movimento estratégico mais amplo. Desde que comprou o Grupo BIG, antigo controlador da bandeira Nacional, o Carrefour tem promovido mudanças profundas em seu portfólio.
A empresa francesa está eliminando marcas consideradas menos rentáveis e consolidando sua atuação em formatos com maior retorno financeiro, como o Atacadão e o Sam’s Club. Esses modelos, voltados ao atacarejo e ao clube de compras, têm conquistado consumidores que buscam economia em tempos de inflação persistente.
Objetivo é tornar supermercados rentáveis com poucos gastos
Segundo executivos do grupo, o objetivo é concentrar esforços em lojas maiores e com maior giro de mercadoria.
O diretor de operações do Carrefour, Marco Alcolezi, afirmou que algumas unidades enfrentavam até mesmo “canibalismo interno”, com lojas do mesmo grupo disputando clientela em regiões próximas.
Foi o caso de Campinas, no interior paulista, onde duas lojas da marca Carrefour em shoppings foram fechadas quase simultaneamente.
A reorganização envolve não apenas encerramentos, mas também conversões de lojas para outros formatos. No entanto, nem todos os pontos serão reaproveitados. Em muitas situações, como nas unidades de Campinas, os espaços estão sendo devolvidos aos shoppings.
A aposta é clara: menos supermercados tradicionais e mais foco em formatos enxutos, de alta rotatividade e margens sustentáveis. Com isso, o varejo brasileiro assiste à saída silenciosa de marcas conhecidas, substituídas por novos modelos que prometem ser mais eficientes.





