Um estudo internacional financiado pelo governo britânico acendeu um alerta global: se nada for feito, as infecções causadas por superbactérias podem ser responsáveis por milhões de mortes até 2050.
A projeção não é exagerada. Segundo os especialistas, o avanço da resistência bacteriana a antibióticos está tornando comuns doenças antes facilmente tratáveis, como pneumonia ou infecções urinárias, em ameaças de difícil controle.
Em meio a tudo isso, a boa notícia é que, apesar da gravidade, ainda é possível evitar esse futuro. Mas o tempo para agir está se esgotando.
Superbactérias podem matar milhões de pessoas em 25 anos
As superbactérias são micro-organismos que evoluíram para resistir aos antibióticos, os medicamentos que deveriam eliminá-las.
Isso acontece quando os antibióticos são usados de forma incorreta, por exemplo, quando são tomados sem necessidade ou quando o tratamento é interrompido antes do tempo. Nesses casos, as bactérias mais frágeis morrem, mas as mais resistentes sobrevivem e se multiplicam.
Esse processo se acelera ainda mais com o uso excessivo de antibióticos na criação de animais e na agricultura, setores que historicamente aplicaram essas substâncias como promotores de crescimento ou prevenção genérica de doenças.
A resistência também se espalha rapidamente por causa da mobilidade global. Uma bactéria resistente surgida em um hospital de qualquer país pode chegar a outro continente em poucos dias, carregada por viajantes, alimentos ou resíduos.
Além disso, as bactérias trocam fragmentos de DNA entre si, até mesmo entre espécies diferentes, o que acelera a disseminação da resistência.
Frear desenvolvimento das superbactérias exige controle do uso de antibióticos
O estudo que motivou o alerta calcula que, se nada mudar, o custo econômico global pode ultrapassar US$ 2 trilhões por ano até meados do século. Só nos Estados Unidos, os gastos com saúde podem saltar para quase US$ 60 bilhões anuais.
Mas o impacto mais brutal será humano: milhões de mortes evitáveis, colapsos em sistemas de saúde e retrocessos nos avanços médicos das últimas décadas.
Para frear esse processo, a Organização Mundial da Saúde (OMS) defende medidas urgentes: limitar o uso de antibióticos apenas a casos realmente necessários, incentivar pesquisas por novos medicamentos e investir em prevenção, como saneamento, vacinação e controle de infecções hospitalares.
Educação da população e políticas públicas coordenadas internacionalmente também são fundamentais.
O futuro ainda pode ser escrito de outra forma, mas isso exige decisão e ação imediata.






