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Superbactéria rara leva hospital a suspender internações na UTI

Por Leticia Florenço
13/03/2026
Em Colunas, Mais Tendências
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Foto: reprodução/ EPTV)

Foto: reprodução/ EPTV)

A identificação de uma bactéria altamente resistente levou à suspensão temporária das internações na Unidade de Terapia Intensiva adulta do Hospital Municipal Dr. Mário Gatti.

A decisão foi tomada após sete pacientes apresentarem infecção por uma variante bacteriana conhecida por desafiar tratamentos convencionais com antibióticos.

Nessas situações, equipes especializadas em controle de infecção entram em ação para conter a propagação dentro da unidade de saúde, protegendo principalmente pacientes em estado crítico.

A suspensão temporária de internações, embora impacte a rotina hospitalar, é considerada uma estratégia importante para interromper a cadeia de transmissão e permitir a desinfecção completa dos ambientes.

O que é a bactéria KPC e por que ela preocupa

A chamada KPC é uma variante da bactéria Klebsiella pneumoniae, um microrganismo que já existe naturalmente e pode viver no corpo humano sem causar problemas em determinadas circunstâncias. No entanto, algumas cepas desenvolveram mutações que as tornam muito mais perigosas.

O diferencial da KPC está na produção de uma enzima capaz de destruir antibióticos potentes utilizados para tratar infecções graves. Essa enzima, conhecida como carbapenemase, neutraliza medicamentos considerados essenciais na medicina moderna.

Quando isso acontece, as opções de tratamento se tornam mais limitadas, exigindo estratégias terapêuticas mais complexas e acompanhamento médico rigoroso.

Por que essas bactérias são chamadas de superbactérias

O termo “superbactéria” é usado popularmente para descrever microrganismos que apresentam resistência a vários antibióticos ao mesmo tempo. Essa característica dificulta o combate às infecções e pode tornar o tratamento mais longo e delicado.

A resistência antimicrobiana não ocorre de forma imediata, mas sim ao longo do tempo, quando as bactérias são expostas repetidamente a medicamentos. Nesse processo evolutivo, algumas conseguem sobreviver e desenvolver mecanismos de defesa que as tornam mais difíceis de eliminar.

Por essa razão, especialistas consideram o avanço dessas bactérias um dos maiores desafios da medicina contemporânea.

Infecções que podem ser provocadas pela KPC

Assim como outras bactérias hospitalares, a KPC pode provocar diferentes tipos de infecção dependendo da região do corpo afetada. Em pacientes hospitalizados, especialmente os que estão em estado grave, o risco costuma ser maior.

Entre os quadros mais comuns estão pneumonia associada à ventilação mecânica, infecções urinárias relacionadas ao uso de sondas, infecções na corrente sanguínea e, em casos mais raros, meningite.

Essas infecções podem se tornar graves principalmente em pessoas com sistema imunológico fragilizado ou que já apresentam outras doenças.

Os hospitais são ambientes mais vulneráveis

Hospitais concentram vários fatores que favorecem o surgimento e a disseminação de bactérias resistentes. Pacientes internados frequentemente passam por procedimentos invasivos, como cirurgias, uso de cateteres, sondas ou aparelhos de ventilação mecânica.

Esses procedimentos podem facilitar a entrada de microrganismos no organismo. Além disso, o uso frequente de antibióticos dentro do ambiente hospitalar cria uma pressão seletiva que favorece a sobrevivência das bactérias mais resistentes.

Outro fator importante é que muitos pacientes hospitalizados já apresentam imunidade comprometida, o que aumenta a vulnerabilidade às infecções.

Como ocorre a transmissão dentro dos hospitais

A transmissão da bactéria pode ocorrer por contato direto ou indireto com superfícies contaminadas ou fluidos corporais. Em ambientes hospitalares, isso pode acontecer por meio de secreções respiratórias, sangue, urina ou fezes.

Equipamentos médicos, camas hospitalares e outros objetos também podem servir como veículos de transmissão quando não são devidamente higienizados.

Quando um caso de bactéria resistente é identificado, os hospitais ativam protocolos rígidos para impedir a disseminação do microrganismo. Entre as medidas adotadas estão o isolamento do paciente infectado, o uso de equipes exclusivas para atendimento e a intensificação da limpeza e desinfecção do ambiente.

Em situações em que vários casos são detectados em um mesmo setor, pode ser necessário suspender temporariamente novas internações ou até fechar unidades inteiras, como UTIs.

Essa estratégia permite realizar uma investigação detalhada, identificar possíveis fontes de contaminação e garantir que o ambiente seja completamente descontaminado antes da retomada das atividades.

O impacto do uso inadequado de antibióticos

O avanço das superbactérias está diretamente relacionado ao uso excessivo ou inadequado de antibióticos. A automedicação, a interrupção precoce de tratamentos e o uso desnecessário desses medicamentos contribuem para acelerar o surgimento de microrganismos resistentes.

Além disso, o uso de antibióticos em larga escala na pecuária e na agricultura também é apontado por especialistas como um fator que influencia esse fenômeno global.

Esse processo, conhecido como resistência antimicrobiana, já é considerado por organismos internacionais um dos maiores desafios para a saúde pública nas próximas décadas.

Casos como o registrado em Campinas mostram que a luta contra bactérias resistentes continua sendo uma prioridade para hospitais e autoridades de saúde. A prevenção, o controle rigoroso de infecções hospitalares e o uso responsável de antibióticos são considerados pontos fundamentais para enfrentar esse problema.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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