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Sua conta pode estar 30% mais cara devido ao uso incorreto da geladeira

Por Leticia Florenço
02/05/2026
Em Colunas, Mais Tendências
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Geladeira - Reprodução

Geladeira - Reprodução

A geladeira é um dos poucos aparelhos que permanecem ligados 24 horas por dia dentro de praticamente todas as residências brasileiras.

Embora sua potência individual não seja tão elevada quanto a de chuveiros ou ar-condicionado, o funcionamento contínuo faz dela uma das maiores responsáveis pelo consumo de energia doméstica.

Especialistas alertam que hábitos inadequados no uso diário podem elevar em até 30% o valor da conta de luz, tornando o equipamento um verdadeiro vilão financeiro quando mal utilizado.

Pequenos descuidos, como abrir a porta repetidamente, armazenar alimentos ainda quentes ou negligenciar a manutenção, podem representar dezenas de reais extras ao final de cada mês.

Geladeiras antigas representam gasto muito maior

Modelos mais antigos tendem a consumir significativamente mais energia do que aparelhos modernos equipados com tecnologia inverter.

Enquanto uma geladeira convencional pode atingir cerca de 70 kWh mensais, versões mais novas podem operar com aproximadamente 45 kWh por mês. Essa diferença pode parecer pequena à primeira vista, mas no acumulado anual gera impacto expressivo.

Na prática, a substituição de um modelo ultrapassado por um mais eficiente pode proporcionar economia de aproximadamente R$30 por mês, dependendo da tarifa energética local. Principais diferenças:

  • Geladeiras antigas exigem maior esforço do compressor
  • Tecnologia inverter ajusta o funcionamento conforme a necessidade
  • Equipamentos modernos reduzem desperdícios
  • Economia anual pode superar centenas de reais

Acúmulo de gelo no congelador aumenta o esforço do compressor

Nos modelos que não possuem sistema frost-free, o acúmulo de gelo é um dos fatores mais prejudiciais ao desempenho energético.

Quando a camada ultrapassa cerca de 5 mm, o gelo passa a funcionar como isolante térmico, dificultando a troca de calor e obrigando o compressor a trabalhar por mais tempo para manter a refrigeração. Consequências do excesso de gelo:

  • Maior consumo de energia
  • Desempenho reduzido
  • Desgaste acelerado do sistema
  • Vida útil menor do equipamento

O descongelamento periódico, nesses casos, deixa de ser apenas questão estética e se torna uma medida essencial de economia.

Abrir a porta constantemente compromete a eficiência

Cada vez que a porta da geladeira é aberta, o ar frio interno é substituído por ar quente externo, elevando a temperatura interna e exigindo esforço adicional para restabelecer o equilíbrio.

Esse comportamento, comum em rotinas familiares intensas, gera impacto acumulativo. Hábitos prejudiciais:

  • Abrir a porta sem necessidade
  • Demorar escolhendo alimentos
  • Verificar conteúdo repetidamente
  • Deixar crianças abrindo com frequência

Planejar o que será retirado antes de abrir a porta é uma medida simples que pode reduzir o desperdício.

Colocar alimentos quentes dentro da geladeira pode sair caro

Colocar alimentos ainda quentes dentro da geladeira pode sair mais caro do que muita gente imagina. O hábito de guardar panelas ou recipientes recém-saídos do fogão é um dos erros mais comuns no dia a dia e tem impacto direto no consumo de energia.

Quando o calor excessivo é introduzido no interior do eletrodoméstico, a temperatura interna sobe rapidamente. Para compensar essa alteração, o sistema de refrigeração precisa trabalhar por mais tempo e com maior intensidade, aumentando o funcionamento do compressor.

Esse esforço extra, repetido com frequência, reflete diretamente na conta de luz ao final do mês.

O ideal, segundo especialistas, é sempre aguardar que os alimentos esfriem naturalmente antes de serem armazenados. Além disso, recomenda-se utilizar recipientes adequados e organizar os itens dentro da geladeira de forma que o ar frio circule livremente entre eles.

Esses cuidados simples ajudam não apenas na redução do consumo de energia, mas também na melhor conservação dos alimentos já armazenados.

Problemas de manutenção podem dobrar o consumo

Outro ponto de atenção importante está relacionado à manutenção do equipamento. Problemas muitas vezes ignorados pelos consumidores podem comprometer seriamente a eficiência energética da geladeira e até dobrar seu consumo mensal.

Entre os principais itens que merecem atenção estão as borrachas de vedação ressecadas, que permitem a entrada constante de ar quente, forçando o sistema a trabalhar sem pausa.

Também são comuns falhas como vazamento ou redução do gás refrigerante, defeitos em relés elétricos e acúmulo de sujeira em serpentinas ou grades traseiras, que prejudicam a troca de calor.

Quando a vedação não funciona corretamente, por exemplo, o interior da geladeira perde temperatura com facilidade, obrigando o compressor a entrar em ciclos contínuos de refrigeração. Esse funcionamento prolongado não só aumenta o consumo de energia, como também acelera o desgaste do aparelho.

Regulagem incorreta da temperatura também pesa na conta

Muitas pessoas acreditam que temperaturas mais baixas sempre representam melhor conservação, mas isso nem sempre é verdade.

Para a maioria dos alimentos, a faixa ideal está entre 0°C e 5°C, sendo 4°C considerada eficiente para equilíbrio entre segurança alimentar e economia. Ajustes inadequados causam:

  • Consumo excessivo
  • Formação de gelo
  • Desgaste prematuro
  • Desperdício energético

Instalação inadequada reduz a capacidade de dissipação de calor

O posicionamento da geladeira influencia diretamente sua eficiência. Modelos precisam de espaço adequado para ventilação, permitindo que o calor gerado pelo sistema seja dissipado corretamente. Erros comuns:

  • Encostar totalmente na parede
  • Instalar entre móveis apertados
  • Bloquear saídas laterais
  • Exposição ao sol ou calor excessivo

Sem ventilação suficiente, o compressor trabalha continuamente, aumentando custos e diminuindo a durabilidade.

Pequenas mudanças podem gerar grande impacto financeiro

Em tempos de tarifas elevadas e maior preocupação com orçamento doméstico, corrigir hábitos simples pode representar economia relevante ao longo do ano.

A geladeira, por ser indispensável e permanente, exige atenção especial. O uso consciente não apenas reduz despesas, como também aumenta a vida útil do equipamento e contribui para um consumo energético mais sustentável.

No fim das contas, o desperdício muitas vezes não está no aparelho em si, mas na forma como ele é utilizado diariamente.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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