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Startup demite 130 após projeto bilionário de drone falhar

Por Leticia Florenço
01/06/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Reprodução

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A Psyche Aerospace surgiu como uma das maiores apostas brasileiras em tecnologia agrícola, prometendo transformar o campo com o desenvolvimento do Harpia P-71, um drone agrícola de grande porte e tecnologia híbrida, movido a etanol e eletricidade.

Com capacidade para transportar até 400 kg de defensivos agrícolas, o drone seria o maior do mundo e capaz de pulverizar 500 mil hectares no Brasil, prometendo ganhos de eficiência, sustentabilidade e redução de custos para produtores rurais.

Idealizado por Gabriel Leal, um empreendedor de apenas 24 anos, o projeto despertou enorme interesse no mercado nacional. A inovação tecnológica unida à proposta sustentável chamou atenção em feiras importantes como a Agrishow, além de atrair investidores dispostos a aportar cerca de R$ 19 milhões inicialmente.

O jovem fundador rapidamente se tornou símbolo do futuro do agro tecnológico no Brasil.

As cartas de intenção e o entusiasmo do mercado

Durante o auge das expectativas, várias empresas agrícolas de grande porte firmaram cartas de intenção para o uso do drone Harpia P-71, sinalizando que o produto teria demanda imediata.

O setor agropecuário, sempre aberto a inovações que aumentem produtividade e sustentabilidade, viu no drone uma ferramenta capaz de revolucionar processos tradicionais de pulverização.

Apesar da empolgação inicial, a Psyche Aerospace enfrentou barreiras técnicas significativas para viabilizar o drone em escala comercial. Os testes práticos essenciais foram adiados ou inviabilizados, prejudicando a conversão das cartas de intenção em contratos firmes.

Além disso, o alto custo mensal da operação, que consumia milhões de reais, tornou a continuidade do projeto insustentável sem novos investimentos.

Falha na captação de recursos e o impacto imediato

No início de 2024, a startup tentou captar R$ 50 milhões para manter e expandir o projeto, mas a rodada de investimentos fracassou.

Sem o aporte necessário, a empresa foi obrigada a tomar medidas drásticas: em maio de 2025, a divisão responsável pelo drone foi encerrada e 130 funcionários foram demitidos na sede em São José dos Campos (SP). Essa decisão marcou o fim do sonho do Harpia P-71, ao menos por enquanto.

Com a saída do projeto drone, a Psyche se viu reduzida a uma equipe enxuta de 25 a 30 colaboradores, agora concentrados em Campinas (SP). A empresa passou a focar suas energias em outras soluções tecnológicas para o agro, buscando viabilidade financeira e sustentabilidade a curto prazo.

Aposta em Inteligência Artificial

A alternativa encontrada foi a plataforma Turing, lançada em janeiro, que combina inteligência artificial e imagens de satélite para monitoramento e diagnóstico das lavouras. Conhecida como o “ChatGPT do Agro”, a ferramenta tem funcionalidades para identificar doenças por imagens e avaliar produtividade.

A empresa planeja lançar em breve uma nova versão, gratuita inicialmente, com previsão de cobrança via assinatura mensal, buscando monetizar este produto com maior facilidade.

Apesar da crise, Gabriel Leal mantém a esperança de retomar o projeto Harpia. A Psyche continua em busca de investidores dispostos a aportar entre US$ 30 e 50 milhões para reiniciar os voos experimentais do drone. Essa retomada dependerá da demonstração prática da tecnologia, algo que até agora não foi possível realizar em escala comercial.

A trajetória da Psyche Aerospace revela os grandes desafios do empreendedorismo tecnológico no agro brasileiro. A inovação disruptiva demanda não só criatividade e investimento, mas também maturidade financeira, testes em campo rigorosos e uma estrutura operacional que suporte a complexidade e a escala da operação.

Startups do setor devem estar preparadas para enfrentar um mercado exigente, onde a confiabilidade e a robustez dos produtos são essenciais. O setor observa atentamente a Psyche Aerospace, que ainda pode ser um exemplo de superação e inovação nos próximos anos.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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