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Sistema elétrico brasileiro enfrenta risco elevado, aponta diretor da ANEEL

Por Leticia Florenço
24/10/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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O sistema elétrico brasileiro vive um momento de crescente vulnerabilidade, segundo o diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), Sandoval Feitosa.

Em declarações recentes, ele destacou que a expansão das fontes de energia solar e o aumento da geração distribuída estão alterando a operação da rede elétrica, gerando riscos que podem se agravar nos próximos anos.

A ameaça da rampa de carga das hidrelétricas

Feitosa explicou que a chamada rampa de carga, que representa a diferença entre a demanda de energia e a capacidade de geração das hidrelétricas, deve crescer consideravelmente. Atualmente, a rampa atinge cerca de 40 gigawatts (GW), mas projeta-se que, até 2028, possa chegar a 53 GW, um aumento de 33%.

Esse aumento decorre da maior introdução da energia solar fotovoltaica, durante o dia, a geração solar reduz a necessidade de energia das hidrelétricas, mas ao final da tarde, quando o sol se põe, a demanda sobe bruscamente.

Esse período de transição, da diminuição da energia solar ao aumento do consumo residencial e comercial, é considerado crítico para a estabilidade do sistema.

Funcionamento e riscos do sistema

O ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) é o órgão responsável por coordenar a operação das usinas no país, decidindo quando aumentar ou reduzir a produção de energia. Sandoval Feitosa explicou com uma analogia simples:

“Se você vai precisar da energia às 18h, a usina precisa ser ligada às 16h. Depois que ligou e atingiu uma rampa mínima, você acrescenta consumo instantaneamente. É como se fosse um chuveiro a gás, que não aquece imediatamente. Isso é extremamente perigoso.”

O diretor alerta que qualquer falha nesse momento de alta demanda, como um equipamento danificado ou uma descoordenação de proteção, pode levar a um colapso parcial ou total do sistema elétrico.

Comparações internacionais

Para contextualizar, Feitosa comparou os números brasileiros com a Europa:

  • 40 GW equivalem ao pico de consumo da Espanha.
  • 53 GW, projetados para 2028, seriam equivalentes ao consumo da Espanha e duas vezes Portugal, ou seja, toda a Península Ibérica.

Esses números mostram a magnitude da rampa de carga prevista e o desafio que o sistema elétrico nacional enfrenta para manter a estabilidade.

Geração distribuída e os desafios do ONS

O aumento da geração distribuída, formada principalmente por consumidores com painéis solares, tem um efeito direto sobre o controle do sistema. Durante o dia, a oferta de energia das residências e comércios diminui a carga líquida nas hidrelétricas.

Porém, o ONS perde parte de seu controle operacional, pois a energia distribuída é injetada diretamente na rede de distribuição, dificultando a previsão de consumo e geração.

Essa mudança estrutural exige novos protocolos de operação e investimentos em tecnologia, para que a rede possa lidar com flutuações rápidas de consumo e garantir segurança energética.

O desafio do futuro

O cenário brasileiro evidencia a necessidade urgente de planejamento estratégico e modernização da operação do sistema elétrico. Entre as medidas discutidas estão:

  • Aumento da capacidade de armazenamento de energia, especialmente baterias de grande escala.
  • Melhor integração entre geração centralizada e distribuída.
  • Monitoramento em tempo real e sistemas inteligentes de controle.
  • Políticas regulatórias que incentivem a previsibilidade e a segurança do fornecimento.

Especialistas alertam que, sem ações concretas, o país pode enfrentar incidentes graves durante os picos de consumo, especialmente no período do entardecer, quando a energia solar cai e a demanda cresce.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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