A poluição por microplásticos já ultrapassou os limites do meio ambiente e chegou silenciosamente aos nossos pratos. Partículas invisíveis a olho nu, mas com potencial para causar sérios danos à saúde humana, estão sendo detectadas em alimentos comuns do dia a dia, como sal, água, arroz e até mesmo frutas.
Pesquisas recentes têm revelado dados alarmantes: os microplásticos já foram encontrados em órgãos vitais do corpo humano, como coração, artérias, pulmões e até mesmo no cérebro, onde sua massa pode equivaler ao peso de uma colher de plástico descartável.
Estudos também sugerem uma ligação entre a exposição crônica a esses fragmentos e o desenvolvimento de doenças como Alzheimer, Parkinson e distúrbios cardiovasculares. Mas de onde vêm essas partículas e como podemos evitá-las?
Sal marinho
O sal marinho é um dos condimentos mais afetados pela contaminação plástica. Por ser extraído diretamente da evaporação da água do mar, ele acaba absorvendo partículas microscópicas que circulam nos oceanos. Um estudo da Ecotoxicology and Environmental Safety apontou a presença de até 1.155 partículas por quilo em amostras de marcas populares.
Prefira sais extraídos de minas subterrâneas, como o sal rosa do Himalaia, que passam por menos exposição à poluição ambiental. Marcas que usam colheita artesanal ou certificações de pureza são boas opções.
Cerveja
A água contaminada usada na fabricação da cerveja é uma das principais vias de introdução de microplásticos nesse tipo de bebida. Além disso, tampas e lacres plásticos também podem liberar fragmentos durante o envase.
Segundo pesquisa do Instituto Nacional de Saúde dos EUA, foram encontradas de 2 a 79 partículas por litro em cervejas alemãs.
Escolha cervejarias artesanais que utilizam água filtrada e práticas sustentáveis. Moderação no consumo também reduz o risco de exposição contínua.
Água engarrafada
Aparentemente pura, a água engarrafada pode esconder um dos níveis mais altos de microplásticos entre todos os alimentos e bebidas. Estudos apontam concentrações que variam entre 325 e 10 mil partículas por litro, especialmente em produtos vendidos em garrafas plásticas.
Use filtros domésticos de qualidade e armazene a água em recipientes de vidro, barro ou inox. Reduza o consumo de água mineral engarrafada sempre que possível.
Mariscos
Animais como camarões, ostras e mexilhões funcionam como verdadeiros filtros naturais e acabam acumulando microplásticos ao longo da vida. Um estudo da revista Frontiers mostrou que camarões podem conter até 10,7 partículas por grama.
Prefira proteínas vegetais, aves ou peixes de origem sustentável e bem fiscalizada. Dê atenção à procedência dos frutos-do-mar.
Arroz
O arroz, base da alimentação de bilhões de pessoas, também não escapa da poluição plástica. Uma pesquisa publicada no Journal of Hazardous Materials revelou de 3 a 13 miligramas de microplástico por 100g de arroz, com destaque para o arroz pré-cozido.
Lave bem os grãos antes de cozinhar, o que pode reduzir em até 40% a presença de partículas. Considere comprar arroz a granel ou orgânico, que tendem a sofrer menos manipulação industrial.
Maçãs e cenouras
Frutas e vegetais também podem absorver microplásticos do solo e da água. Um levantamento da revista Environmental Research identificou até 44,6 milhões de partículas por maçã e 14,7 milhões por cenoura (150g), os níveis mais altos entre produtos vegetais analisados.
Dê preferência a alimentos sem embalagem plástica, frescos e de agricultura local. Lave muito bem os vegetais e, se possível, remova a casca.
Chá
Os saquinhos de chá fabricados com materiais plásticos podem liberar bilhões de partículas quando em contato com água quente. De acordo com pesquisa da revista Environmental Science & Technology, cada saquinho pode liberar 11 bilhões de microplásticos e 3,1 bilhões de nanoplásticos.
Opte por preparar chás com folhas soltas em infusores de vidro ou aço inox. Algumas marcas já oferecem sachês biodegradáveis e livres de plásticos.
A exposição a microplásticos é um problema global que vai além das escolhas alimentares, mas pequenas mudanças no consumo diário podem fazer uma grande diferença. O primeiro passo é informar-se e repensar hábitos. Afinal, quando até a água e a fruta da feira se tornam fonte de plástico, é sinal de que já passamos dos limites.






