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Serasa revela que brasileiros não estão pagando empréstimo em dia

Por Leticia Florenço
21/01/2026
Em Colunas, Mais Tendências
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Serasa - Foto: (Imagem/Reprodução)

Serasa - Foto: (Imagem/Reprodução)

Um levantamento recente da Serasa Experian, obtido com exclusividade pela IstoÉ Dinheiro, aponta um cenário preocupante para a saúde financeira da população brasileira: a pontualidade nos pagamentos de empréstimos pessoais diminuiu, refletindo o aumento do endividamento e a pressão econômica sobre as famílias.

Os dados mostram que a pontualidade média no pagamento do empréstimo pessoal caiu para 82,7% no segundo trimestre de 2025, ante 85,2% no mesmo período de 2024.

A economista Camila Abdelmalack, responsável pelo estudo, afirma que os números revelam “um maior comprometimento da renda, resultado do avanço do endividamento aliado à alta de juros vigente no cenário econômico”.

Impactos regionais

O Norte registrou queda de 4,0 pontos percentuais na pontualidade, o Nordeste caiu 3,8 pontos, enquanto o Sudeste apresentou menor recuo, de apenas 1,6 ponto percentual, mantendo um índice de 83,7%.

Essas disparidades mostram que regiões com menor renda média e menor acesso a crédito sofrem mais com a inadimplência, enquanto áreas economicamente mais desenvolvidas mantêm resiliência relativa.

Redução do ticket médio de empréstimos

O valor médio dos empréstimos pessoais também diminuiu, passando de R$ 416,24 em 2024 para R$ 396,49 em 2025, uma queda nominal de R$ 19,75. Segundo a Serasa, “o recuo do ticket médio reflete uma postura mais cautelosa dos credores na concessão de crédito.

A análise regional mostra que o Centro-Oeste mantém os tickets mais altos, apesar da redução de R$ 40,19, enquanto o Nordeste apresenta os menores valores, mas registrou aumento anual, de R$ 339,84 para R$ 350,33, sinalizando uma leve recuperação do crédito na região.

Crescimento da inadimplência

O cenário econômico adverso também impacta empresas: a inadimplência atingiu 8,7 milhões de empresas, número recorde.

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) indica que 78,9% das famílias terminaram 2024 com algum tipo de dívida, enquanto a Selic alcançou 15% ao ano, seu maior patamar desde 2006, elevando o custo do crédito e pressionando o orçamento familiar.

O aumento da inadimplência e a queda na pontualidade dos pagamentos indicam sinais de esgotamento da política econômica brasileira. Juros altos desestimulam o consumo, encarecem empréstimos e aumentam o peso da dívida sobre a renda das famílias.

Medidas de estímulo ou flexibilização financeira mostram-se insuficientes para reverter a tendência de inadimplência, exigindo maior cautela por parte dos brasileiros ao contratar crédito.

Recomendações

Especialistas sugerem que as famílias revisem seus orçamentos, priorizem a redução de dívidas e considerem alternativas de crédito mais baratas, como linhas consignadas ou renegociações bancárias.

O Cadastro Positivo se torna uma ferramenta importante para monitorar o crédito e preservar a reputação financeira.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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