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Senado analisa projeto que muda o cálculo do BPC para evitar que famílias percam o benefício

Por Leticia Florenço
04/06/2026
Em Colunas, Mais Tendências
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Foto: (Imagem/Reprodução)

Foto: (Imagem/Reprodução)

O Senado Federal deverá analisar nas próximas semanas um projeto de lei que pretende promover mudanças importantes nas regras do Benefício de Prestação Continuada (BPC).

A proposta busca corrigir situações em que famílias em condição de vulnerabilidade acabam perdendo o auxílio por causa de aumentos temporários na renda, especialmente quando algum integrante consegue ingressar no mercado de trabalho.

A medida pretende tornar a avaliação socioeconômica mais próxima da realidade enfrentada por milhões de brasileiros que dependem da assistência social para garantir condições mínimas de sobrevivência.

O que é o BPC

O Benefício de Prestação Continuada é um programa assistencial destinado a idosos com 65 anos ou mais e pessoas com deficiência que comprovem baixa renda.

Diferentemente da aposentadoria, o benefício não exige contribuição prévia ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Atualmente, o programa garante o pagamento mensal equivalente a um salário mínimo para os beneficiários que atendam aos critérios estabelecidos pela legislação.

O problema que o projeto pretende resolver

Segundo a autora da proposta, muitas famílias continuam enfrentando dificuldades financeiras mesmo após conseguir uma fonte temporária de renda.

Na prática, um emprego recém-conquistado ou um contrato de curta duração pode elevar momentaneamente a renda familiar e provocar o cancelamento do benefício, ainda que a situação de vulnerabilidade permaneça.

Esse cenário gera insegurança para os beneficiários e pode criar receio de aceitar oportunidades formais de trabalho por medo de perder o auxílio.

Benefício não seria cortado automaticamente

Um dos principais pontos do Projeto de Lei 1.812/2026 é impedir a interrupção automática do BPC quando o beneficiário ou algum integrante da família começar a trabalhar.

A proposta estabelece que o recebimento de renda proveniente de um novo vínculo empregatício não será motivo imediato para o cancelamento do benefício, desde que a condição de vulnerabilidade social continue existindo.

O objetivo é garantir uma transição mais segura para quem tenta melhorar sua condição financeira.

Salário de novo emprego poderá ser desconsiderado

O texto prevê que, para fins de cálculo da renda per capita familiar, o valor recebido em um novo trabalho poderá ser desconsiderado até o limite de um salário mínimo.

Essa medida permitiria que famílias em processo de inserção profissional não fossem penalizadas logo nos primeiros meses de atividade laboral. A regra dependerá de regulamentação específica, mas representa uma mudança na forma como a renda familiar é analisada.

Período de transição de até 12 meses

Outra inovação prevista no projeto é a criação de um período de transição. Nos casos em que houver aumento da renda decorrente de emprego formal, o beneficiário poderá continuar recebendo o BPC por até 12 meses.

Ao final desse período, será realizada uma nova avaliação social para verificar se a família realmente superou a situação de vulnerabilidade econômica. A medida busca evitar que mudanças temporárias provoquem impactos imediatos e severos na vida dos beneficiários.

Gastos essenciais poderão ser descontados

Outro ponto considerado relevante é a possibilidade de dedução de despesas permanentes e comprovadas da renda familiar. Entre os gastos que poderão ser considerados estão:

  • Tratamentos médicos;
  • Terapias especializadas;
  • Medicamentos;
  • Alimentação especial;
  • Tecnologias assistivas;
  • Equipamentos necessários para a autonomia do beneficiário;
  • Outras despesas indispensáveis não fornecidas pelo sistema público.

Mais segurança para famílias vulneráveis

A senadora responsável pelo projeto afirma que a iniciativa busca adequar a legislação à realidade enfrentada por milhares de famílias brasileiras. Segundo ela, aumentos temporários de renda não significam necessariamente a superação da pobreza ou da vulnerabilidade social.

Por isso, a proposta pretende oferecer mais estabilidade aos beneficiários, reduzindo incertezas e evitando interrupções abruptas da assistência.

Antes de seguir para votação em plenário, o projeto deverá passar pelas comissões temáticas do Senado, onde será debatido e poderá receber sugestões de alteração. Se avançar nas etapas legislativas, a proposta poderá representar uma das mudanças mais relevantes dos últimos anos nos critérios de avaliação do BPC.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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