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Segredo bizarro de antigos casamentos ingleses vem à tona

Por Leticia Florenço
28/06/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Casamento - Reprodução/Unsplash

Casamento - Reprodução/Unsplash

Durante os séculos XVIII e XIX, o casamento na Inglaterra era visto como uma instituição sagrada e praticamente inquebrável. A influência religiosa reforçava a ideia de que o vínculo matrimonial deveria ser eterno, e o divórcio era uma possibilidade restrita a poucos privilegiados, com custos altíssimos e processos longos.

Nesse contexto, a mulher casada era tratada como propriedade do marido, sem direitos legais significativos para se separar ou reivindicar autonomia. A desigualdade de gênero era institucionalizada, e a dependência feminina dentro do casamento era absoluta.

A prática da venda de esposas

Diante da impossibilidade formal de dissolver o casamento, surgiu uma prática informal e chocante com a venda de esposas. Maridos levavam suas mulheres a mercados públicos, muitas vezes amarradas por cordas ao pescoço, braço ou cintura, como se fossem objetos ou animais, para vendê-las ao maior interessado.

Embora pareça uma prática unicamente violenta, algumas mulheres concordavam com a venda, utilizando essa “solução” para escapar de relações infelizes e até combinar um novo casamento. Entretanto, muitas outras eram vendidas contra sua vontade, refletindo a vulnerabilidade legal e social da mulher na época.

Simbologia e a tolerância social

Mesmo sem respaldo legal, a venda de esposas era tolerada por autoridades locais, especialmente em áreas rurais, e ocorria em mercados públicos destinados à venda de mercadorias. A comunidade assistia a esses eventos com naturalidade, e eles chegaram a ser registrados em jornais e ilustrações da época.

Com as mudanças legais ocorridas a partir da segunda metade do século XIX, como o Matrimonial Causes Act de 1857, que facilitou o divórcio, e com os avanços dos direitos femininos, a venda de esposas começou a desaparecer gradualmente.

No entanto, registros indicam que o costume persistiu até o início do século XX em algumas regiões.

A venda de esposas é um capítulo muitas vezes esquecido e pouco discutido da história britânica. Essa prática revela como o casamento foi usado como instrumento de dominação e controle sobre as mulheres.

A normalização do divórcio e a conquista dos direitos femininos são frutos de séculos de lutas contra essa realidade opressora.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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