Um satélite da NASA lançado na década de 1960 e inativo há mais de meio século foi identificado como a fonte de um intrigante sinal de rádio captado no espaço.
A descoberta, que pegou os cientistas de surpresa, ajudou a resolver um mistério que circulava entre pesquisadores e curiosos desde junho do ano passado, quando a emissão foi registrada por radiotelescópios na Austrália.
Nas redes sociais, a origem do sinal alimentou teorias e debates, que iam desde fenômenos astrofísicos até possibilidades extraterrestres.
Satélite desligado há quase 60 anos surpreende ao emitir sinal de rádio
O sinal, breve e potente, apresentava características semelhantes às chamadas rajadas rápidas de rádio, eventos de alta energia geralmente originados em galáxias distantes e que ainda desafiam a compreensão da ciência.
Por isso, quando foi captado inicialmente, a comunidade científica tratou o episódio com interesse e cautela, acreditando estar diante de mais um possível exemplo desses fenômenos raros e de origem cósmica.
No entanto, ao aprofundar as análises, uma equipe liderada pelo astrônomo Clancy James, da Curtin University, descobriu que o sinal não vinha de bilhões de anos-luz de distância, mas sim de uma altitude de cerca de 4.500 quilômetros da superfície terrestre.
A fonte era o Relay 2, um satélite lançado pela NASA em 1964 e desativado oficialmente em 1967. Por meio de simulações e rastreamento orbital utilizando o radiotelescópio ASKAP e ferramentas computacionais, os pesquisadores conseguiram confirmar a origem.
Cientistas estudam possibilidades que fez satélite emitir sinal misterioso
O fenômeno que causou a emissão ainda não é totalmente compreendido, mas os cientistas apontam duas possibilidades principais: uma descarga eletrostática acumulada por décadas no equipamento ou um pequeno impacto com partículas espaciais — como micrometeoroides.
A hipótese mais forte, no entanto, é a de que o próprio ambiente espacial provocou um acúmulo gradual de carga elétrica, liberada subitamente pelo satélite em forma de pulso de rádio.
Mais do que um caso isolado, o episódio levanta questões importantes sobre os riscos representados pelo lixo espacial. Equipamentos antigos e abandonados podem, mesmo após décadas, interferir em observações astronômicas e sistemas tecnológicos ativos.
Além disso, a descoberta mostra que radiotelescópios podem ser utilizados não apenas para investigar o universo profundo, mas também para monitorar a atividade eletromagnética de artefatos que continuam à deriva na órbita da Terra.






