O salário mínimo regional de Santa Catarina foi reajustado para 2026 e voltou a chamar forte atenção no cenário trabalhista brasileiro.
Após semanas de negociações entre representantes de trabalhadores e empregadores, o piso estadual teve aumento de 6,49% nas quatro faixas salariais existentes, consolidando mais um ciclo de valorização da renda no estado.
A atualização reforça o papel de Santa Catarina como referência nacional em política de piso regional, especialmente porque duas das faixas passaram a ultrapassar a marca simbólica de R$ 2 mil.
O movimento é visto como resultado direto do modelo de negociação direta adotado no estado, que busca equilibrar a capacidade das empresas com a necessidade de garantir melhor poder de compra aos trabalhadores.
A proposta ainda seguirá para análise do governo estadual e posterior envio à Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), onde será transformada em projeto de lei complementar.
Novos valores de salários definidos para 2026
O reajuste elevou os pisos regionais para os seguintes patamares:
- 1ª faixa: R$ 1.842,00
- 2ª faixa: R$ 1.908,00
- 3ª faixa: R$ 2.022,00
- 4ª faixa: R$ 2.106,00
O avanço das duas últimas faixas acima de R$ 2 mil evidencia a valorização gradual da remuneração mínima em determinados segmentos da economia catarinense.
Negociação direta é destaque no estado
O acordo foi construído por meio de negociação direta entre as entidades patronais e sindicais, um modelo considerado referência no país. O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina, Gilberto Seleme, destacou que o entendimento conjunto fortalece o ambiente econômico.
Segundo ele, o diálogo aberto contribui para o desenvolvimento estadual e demonstra a maturidade das relações de trabalho em Santa Catarina.
Na visão do coordenador sindical do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, Ivo Castanheira, o acordo representa avanço na distribuição de renda.
Ele ressaltou que Santa Catarina é o único estado com piso regional em que as negociações ocorrem de forma consensual desde a criação da política salarial, o que garante maior previsibilidade para empregados e empregadores.
O que é o salário mínimo regional
Criado pela Lei Complementar 459/2009, o piso regional catarinense funciona como uma referência salarial para trabalhadores que não possuem piso definido por:
- Lei federal
- Convenção coletiva
- Acordo coletivo
Na prática, ele atua como uma rede de proteção para diversas categorias, especialmente em setores com menor organização sindical.
Quem recebe cada faixa
Primeira faixa — R$ 1.842,00
Abrange atividades como:
- Agricultura e pecuária
- Pesca e aquicultura
- Construção civil
- Empregados domésticos
- Motoboys e transporte em geral (exceto motoristas)
Segunda faixa — R$ 1.908,00
Voltada a trabalhadores de:
- Indústrias têxteis e de calçados
- Artefatos de couro
- Papel e papelão
- Telemarketing e comunicações
- Setor moveleiro
Terceira faixa — R$ 2.022,00
Inclui:
- Indústrias químicas e farmacêuticas
- Setor alimentício
- Indústria cinematográfica
- Comércio em geral
- Agentes autônomos do comércio
Quarta faixa — R$ 2.106,00
Contempla segmentos mais especializados, como:
- Indústrias metalúrgicas e elétricas
- Seguros privados
- Processamento de dados
- Motoristas do transporte em geral
- Serviços de saúde
- Administração escolar
Próximos passos
Após o consenso entre as entidades, o governo estadual deve encaminhar o projeto à Alesc para formalização legal. Somente após a aprovação legislativa e sanção é que os novos valores passam a ter validade oficial.
Com duas faixas já acima de R$ 2 mil, Santa Catarina consolida sua posição entre os estados com os pisos regionais mais elevados do país, movimento que pode influenciar futuras negociações trabalhistas em outras regiões do Brasil.






