O salário mínimo no Brasil entrou em 2026 com um novo valor em vigor. Desde o início de janeiro, o piso nacional passou para R$ 1.621 após reajuste definido pelo governo federal e confirmado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Apesar do aumento, a atualização não foi suficiente para colocar o país em posição de destaque na América Latina.
Na comparação internacional, o salário mínimo do Paraguai segue maior do que o brasileiro, mesmo sendo um país com uma economia consideravelmente menor.
Salário do Paraguai é maior mesmo com o aumento no Brasil confirmado por Lula
O reajuste brasileiro representou um acréscimo de R$ 103 em relação ao valor anterior, o que corresponde a uma alta de 6,79%.
O cálculo seguiu a regra atual, que combina a variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado em 12 meses com o crescimento do Produto Interno Bruto de dois anos antes, respeitando os limites impostos pelo arcabouço fiscal.
O INPC acumulado foi de 4,18%, enquanto a expansão econômica considerada ficou dentro do teto permitido para ganho real. Com isso, o novo salário passou a valer oficialmente em 1º de janeiro de 2026.
Mesmo com o reajuste, levantamentos internacionais mostram que o valor brasileiro ainda está distante dos maiores salários mínimos da região.
Um estudo divulgado pelo governo do México aponta que o Brasil ocupa apenas a 14ª colocação no ranking latino-americano quando os valores são convertidos para dólares.
Nessa lista, o Paraguai aparece à frente. O salário mínimo paraguaio é de 434,86 dólares mensais, o que, pela cotação atual, equivale a aproximadamente R$ 2.331.
Na prática, o trabalhador paraguaio recebe um piso superior ao brasileiro, apesar de o país vizinho figurar apenas como a 16ª maior economia da América Latina.
O contraste chama atenção especialmente porque o Brasil lidera o ranking das maiores economias da região.
Segundo dados do Fundo Monetário Internacional, o PIB brasileiro ultrapassa US$ 2 trilhões, colocando o país no topo da América Latina em termos de produção econômica.
Ainda assim, essa força não se reflete no valor pago como salário mínimo, o que ajuda a explicar parte das desigualdades sociais existentes no país.
Lula reconhece defasagem do salario mínimo
Durante uma cerimônia na semana passada que marcou os 90 anos do salário mínimo no Brasil, o presidente Lula reconheceu publicamente essa defasagem.
Em seu discurso, afirmou que o valor atual é baixo e não atende plenamente aos objetivos originais do salário mínimo, que incluem garantir condições básicas de moradia, alimentação, educação e mobilidade aos trabalhadores.
Embora tenha defendido a importância histórica do direito, Lula admitiu que há um longo caminho para que o piso nacional cumpra, de fato, o papel previsto na lei.





