O preço dos automóveis no Brasil é um assunto que preocupa consumidores há anos. Não se trata apenas de percepção, dados apontam que os carros ficaram significativamente mais caros em pouco tempo, tornando o sonho de possuir um veículo cada vez mais distante para grande parte da população.
Levantamento da consultoria Bright Consulting revela um aumento de mais de 56% no preço médio dos carros entre 2019 e 2025. O tíquete médio passou de R$ 94.547 para R$ 147.854, tornando os veículos menos acessíveis.
Para efeito de comparação, um trabalhador com renda média de R$ 3.326 precisaria de 22 meses sem gastar nada para comprar o modelo mais barato do País, o Citroën C3 Live, atualmente custando R$ 73.490. Carros automáticos, por sua vez, não estão disponíveis abaixo de R$ 100 mil.
A carga tributária como fator decisivo
Os impostos são os vilões mais evidentes na conta final. Entre os tributos mais impactantes estão:
- IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados): Varia de 7% a 25%, conforme modelo e tamanho do motor.
- ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços): Percentual de 12% a 18%, dependendo do Estado.
- PIS/Cofins: soma 9% do valor do veículo.
- IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores): Varia de 2% a 4% do preço do carro.
De forma geral, 30% a 50% do preço final de cada veículo vendido no Brasil vai diretamente para os cofres públicos, tornando os carros entre os mais caros do mundo quando comparados à renda média do brasileiro.
Custos adicionais que encarecem os automóveis
Além dos tributos, outros fatores influenciam o preço elevado:
- Variação cambial: O dólar impacta diretamente o custo de peças e sistemas importados.
- Custos de produção: Mão de obra, logística, energia e insumos contribuem para o aumento.
- Regulamentações: Normas mais rígidas do Proconve e do Contran tornam os carros mais seguros e menos poluentes, mas elevam o preço final.
- Margens de lucro sigilosas: Tanto das montadoras quanto das concessionárias.
Henry Joseph Júnior, diretor da Anfavea, ressalta que essas mudanças são permanentes, e a tendência é que carros de entrada, os modelos mais baratos, ocupem menor espaço no mercado.
Impacto do financiamento e das taxas de juros
Para quem opta pelo financiamento, o preço do carro aumenta ainda mais. Desde setembro de 2024, o ciclo de alta da taxa básica de juros (Selic) subiu de 10,5% para 14,25%, refletindo diretamente nas parcelas.
Segundo Márcio de Lima Leite, ex-presidente da Anfavea, a taxa média de financiamento chegou a 29,5% ao ano, tornando a compra mais cara e levando muitos consumidores a desistirem do veículo.
Enquanto não houver mudanças estruturais, especialmente na tributação e nas condições de financiamento, os carros continuarão a ser um bem de alto custo, dificultando o acesso da população à mobilidade automotiva.





