O avanço do Relógio do Juízo Final para 85 segundos antes da meia-noite acendeu um dos alertas mais graves já registrados pela comunidade científica internacional.
Nunca, desde sua criação em 1947, o marcador simbólico esteve tão próximo do ponto teórico da aniquilação global. O ajuste anunciado nesta terça-feira (27) representa não apenas uma mudança numérica, mas um retrato sombrio do cenário geopolítico, tecnológico e informacional que domina o planeta.
A decisão de aproximar o relógio em quatro segundos reflete uma combinação de fatores que, juntos, elevam o risco de colapso global a níveis considerados “insustentáveis” pelos especialistas.
O que é o Relógio do Juízo Final
Criado logo após a Segunda Guerra Mundial por cientistas ligados ao Projeto Manhattan, entre eles Albert Einstein e J. Robert Oppenheimer, o Relógio do Juízo Final nasceu como uma metáfora visual para alertar a humanidade sobre ameaças existenciais.
A meia-noite simboliza a destruição do planeta, enquanto os segundos restantes representam o quão perto a civilização está desse limite.
Potências nucleares e o retorno da lógica da Guerra Fria
Um dos principais fatores para o novo ajuste foi o comportamento cada vez mais agressivo das potências nucleares, especialmente Estados Unidos, Rússia e China.
Segundo o Boletim dos Cientistas Atômicos, o enfraquecimento dos tratados de controle de armas e a retomada de discursos nacionalistas ampliam o risco de conflitos com potencial nuclear.
A possível expiração do Novo Tratado Start, último grande acordo que limita o número de ogivas nucleares entre EUA e Rússia, agrava ainda mais o cenário. Sem garantias de renovação, o mundo pode entrar em uma nova corrida armamentista, marcada por menos transparência e mais desconfiança.
Risco nuclear considerado “inaceitavelmente alto”
Alexandra Bell, presidente e CEO do Boletim, destacou que não há sinais positivos em 2025 no que diz respeito à segurança nuclear. Estruturas diplomáticas históricas estão se deteriorando, enquanto cresce o temor do retorno de testes nucleares explosivos, algo que não ocorre em larga escala há mais de 25 anos.
Além disso, conflitos armados ativos estão sendo travados sob a sombra das armas nucleares, aumentando o risco de escaladas rápidas e imprevisíveis.
Conflitos globais que pressionam o ponteiro do relógio
Os cientistas também apontaram o impacto direto das guerras e tensões internacionais, como:
- A guerra prolongada entre Rússia e Ucrânia;
- Os bombardeios envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã;
- Os confrontos recorrentes entre Índia e Paquistão;
- As ameaças da China contra Taiwan;
- As tensões persistentes na Península Coreana.
Segundo Bell, essas disputas revelam um mundo cada vez mais fragmentado, onde o uso da força volta a ser priorizado em detrimento da diplomacia.
Inteligência artificial e o “apocalipse da informação”
Pela primeira vez com tanto destaque, a inteligência artificial e a desinformação foram tratadas como ameaças centrais.
A jornalista Maria Ressa, vencedora do Nobel da Paz, alertou para o que chamou de “apocalipse da informação”, no qual mentiras se espalham mais rápido que fatos, corroendo democracias e alimentando conflitos.
Segundo ela, plataformas digitais e tecnologias extrativistas lucram com a polarização, tornando a sociedade mais vulnerável à manipulação em larga escala.
Falha global de liderança agrava a crise
Outro ponto crucial destacado pelo Boletim é a crise de liderança mundial. Para os cientistas, o avanço do autoritarismo, do neoimperialismo e de modelos de governança baseados no controle e na força contribui diretamente para aproximar o relógio da meia-noite.
A ausência de respostas coordenadas e responsáveis amplia a sensação de instabilidade permanente.
Ao marcar 85 segundos para a meia-noite, os cientistas deixam claro, nunca foi tão necessário reduzir tensões, fortalecer acordos internacionais e recuperar o compromisso com a verdade, a cooperação e a sobrevivência coletiva.






