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Relógio do Juízo Final está mais perto do apocalipse do que nunca

Por Leticia Florenço
28/01/2026
Em Colunas, Mais Tendências
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O avanço do Relógio do Juízo Final para 85 segundos antes da meia-noite acendeu um dos alertas mais graves já registrados pela comunidade científica internacional.

Nunca, desde sua criação em 1947, o marcador simbólico esteve tão próximo do ponto teórico da aniquilação global. O ajuste anunciado nesta terça-feira (27) representa não apenas uma mudança numérica, mas um retrato sombrio do cenário geopolítico, tecnológico e informacional que domina o planeta.

A decisão de aproximar o relógio em quatro segundos reflete uma combinação de fatores que, juntos, elevam o risco de colapso global a níveis considerados “insustentáveis” pelos especialistas.

O que é o Relógio do Juízo Final

Criado logo após a Segunda Guerra Mundial por cientistas ligados ao Projeto Manhattan, entre eles Albert Einstein e J. Robert Oppenheimer, o Relógio do Juízo Final nasceu como uma metáfora visual para alertar a humanidade sobre ameaças existenciais.

A meia-noite simboliza a destruição do planeta, enquanto os segundos restantes representam o quão perto a civilização está desse limite.

Potências nucleares e o retorno da lógica da Guerra Fria

Um dos principais fatores para o novo ajuste foi o comportamento cada vez mais agressivo das potências nucleares, especialmente Estados Unidos, Rússia e China.

Segundo o Boletim dos Cientistas Atômicos, o enfraquecimento dos tratados de controle de armas e a retomada de discursos nacionalistas ampliam o risco de conflitos com potencial nuclear.

A possível expiração do Novo Tratado Start, último grande acordo que limita o número de ogivas nucleares entre EUA e Rússia, agrava ainda mais o cenário. Sem garantias de renovação, o mundo pode entrar em uma nova corrida armamentista, marcada por menos transparência e mais desconfiança.

Risco nuclear considerado “inaceitavelmente alto”

Alexandra Bell, presidente e CEO do Boletim, destacou que não há sinais positivos em 2025 no que diz respeito à segurança nuclear. Estruturas diplomáticas históricas estão se deteriorando, enquanto cresce o temor do retorno de testes nucleares explosivos, algo que não ocorre em larga escala há mais de 25 anos.

Além disso, conflitos armados ativos estão sendo travados sob a sombra das armas nucleares, aumentando o risco de escaladas rápidas e imprevisíveis.

Conflitos globais que pressionam o ponteiro do relógio

Os cientistas também apontaram o impacto direto das guerras e tensões internacionais, como:

  • A guerra prolongada entre Rússia e Ucrânia;
  • Os bombardeios envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã;
  • Os confrontos recorrentes entre Índia e Paquistão;
  • As ameaças da China contra Taiwan;
  • As tensões persistentes na Península Coreana.

Segundo Bell, essas disputas revelam um mundo cada vez mais fragmentado, onde o uso da força volta a ser priorizado em detrimento da diplomacia.

Inteligência artificial e o “apocalipse da informação”

Pela primeira vez com tanto destaque, a inteligência artificial e a desinformação foram tratadas como ameaças centrais.

A jornalista Maria Ressa, vencedora do Nobel da Paz, alertou para o que chamou de “apocalipse da informação”, no qual mentiras se espalham mais rápido que fatos, corroendo democracias e alimentando conflitos.

Segundo ela, plataformas digitais e tecnologias extrativistas lucram com a polarização, tornando a sociedade mais vulnerável à manipulação em larga escala.

Falha global de liderança agrava a crise

Outro ponto crucial destacado pelo Boletim é a crise de liderança mundial. Para os cientistas, o avanço do autoritarismo, do neoimperialismo e de modelos de governança baseados no controle e na força contribui diretamente para aproximar o relógio da meia-noite.

A ausência de respostas coordenadas e responsáveis amplia a sensação de instabilidade permanente.

Ao marcar 85 segundos para a meia-noite, os cientistas deixam claro, nunca foi tão necessário reduzir tensões, fortalecer acordos internacionais e recuperar o compromisso com a verdade, a cooperação e a sobrevivência coletiva.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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