Pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, apresentaram uma inovação para o tratamento pós-infarto: um adesivo cardíaco capaz de combinar regeneração do tecido com liberação controlada de medicamentos.
O avanço, descrito na revista Cell Biomaterials, utiliza um hidrogel fino, flexível e biocompatível, que adere à superfície do coração sem comprometer seus movimentos. Dentro desse material estão micropartículas que funcionam como reservatórios de fármacos.
Adesivo pós infarto
Após um infarto, o coração passa por etapas que incluem morte celular, inflamação, formação de novos vasos sanguíneos e cicatrização. Os tratamentos atuais, geralmente administrados em comprimidos ou por via intravenosa, agem de forma sistêmica e não controlam com precisão nem o local nem o momento da ação dos medicamentos.
O adesivo proposto funciona de maneira oposta: é aplicado diretamente sobre a área lesionada e libera os medicamentos gradualmente, em fases que acompanham o processo de recuperação. Nos primeiros dias, impede a perda de células; depois, estimula a formação de vasos; e, por fim, reduz a produção de tecido cicatricial.
Essa liberação sequenciada só é possível porque as micropartículas do adesivo são programadas para abrir em momentos específicos, garantindo uma intervenção localizada e temporizada, mais direcionada do que os tratamentos tradicionais.
Testes e usos
Nos testes pré-clínicos, o adesivo foi aplicado diretamente sobre o coração de ratos que sofreram infarto induzido em laboratório. Os resultados foram promissores: a área lesionada diminuiu, as células cardíacas apresentaram maior sobrevivência e a função do órgão melhorou. Em comparação com a administração intravenosa dos mesmos medicamentos, o dispositivo mostrou desempenho superior, mantendo os fármacos concentrados por mais tempo na região afetada.
O adesivo pode ser implantado durante cirurgias já realizadas para recuperar o fluxo sanguíneo, acrescentando ao procedimento uma camada de regeneração do tecido cardíaco. Embora a versão atual exija cirurgia aberta, os pesquisadores estudam alternativas menos invasivas, como incorporar as micropartículas em stents, permitindo a liberação programada dos medicamentos pelas artérias.
Se a eficácia for confirmada em estudos futuros com humanos, o dispositivo pode mudar o tratamento pós-infarto ao oferecer não apenas suporte ao funcionamento do coração, mas também a possibilidade de regenerar o tecido danificado.






