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Quem trabalha 12×36 vai ter jornada alterada com fim da escala 6×1?

Por Leticia Florenço
27/01/2026
Em Colunas, Mais Tendências
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carteira de trabalho

Carteira de Trabalho - Reprodução/iStock

A retomada da discussão sobre o fim da escala 6×1 no Congresso Nacional reacendeu um debate mais amplo sobre a organização da jornada de trabalho no Brasil.

Embora a proposta tenha como alvo principal o modelo em que o trabalhador atua seis dias consecutivos e descansa apenas um, o tema passou a gerar dúvidas também entre profissionais que cumprem escalas especiais, como a 12×36.

A ampliação do debate ocorre porque o texto em análise trata não apenas de dias trabalhados, mas do total de horas semanais, ponto que pode ter efeitos indiretos sobre outros regimes.

Proposta mira redução de carga horária sem corte salarial

Parlamentares defensores da mudança afirmam que o objetivo é reduzir a carga semanal de trabalho e ampliar o tempo de descanso, sem diminuir a remuneração. A justificativa está ligada a estudos sobre saúde ocupacional e produtividade, que apontam desgaste físico e mental em jornadas prolongadas.

Apesar do discurso, ainda não há um texto final aprovado, o que mantém o debate em aberto e alimenta a expectativa entre trabalhadores e empregadores.

Escala 12×36 é reconhecida, mas pode sofrer ajustes

A jornada 12×36, comum em setores como saúde, segurança e vigilância, é reconhecida pela Consolidação das Leis do Trabalho. O modelo permite 12 horas consecutivas de trabalho seguidas por 36 horas de descanso e pode ser adotado por acordo, desde que respeitadas regras específicas.

Especialistas destacam, no entanto, que o reconhecimento legal não impede futuras revisões, caso a legislação passe a estabelecer limites mais rígidos para a carga horária semanal.

Total de horas coloca o regime no centro da discussão

O principal ponto de atenção para quem trabalha em 12×36 está no total de horas acumuladas ao longo da semana. Dependendo da organização da escala, o trabalhador pode cumprir três plantões, somando 36 horas, ou quatro plantões, chegando a 48 horas semanais.

Se a nova regra estabelecer um teto semanal fixo, semanas com maior carga poderão exigir readequação das escalas.

Empresas avaliam impactos operacionais

Em setores que funcionam de forma contínua, como hospitais e serviços de segurança, eventuais mudanças podem exigir reorganização de equipes, redistribuição de folgas e aumento do número de contratações. Representantes desses setores alertam para o impacto operacional e financeiro de alterações abruptas.

Por isso, a discussão também envolve a necessidade de transição gradual e regras específicas para atividades essenciais.

Outro aspecto que segue indefinido é a aplicação da promessa de manutenção salarial. Embora a redução da jornada sem redução de remuneração seja um dos pilares da proposta, ainda não há detalhamento sobre como isso funcionaria em escalas diferenciadas.

Até o momento, não há mudanças em vigor. A escala 12×36 permanece válida e permitida pela legislação atual. Qualquer alteração só poderá ocorrer após aprovação final do projeto no Congresso Nacional e regulamentação que defina como os novos limites de jornada serão aplicados.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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