Nos últimos meses, aposentados e pensionistas do INSS foram pegos de surpresa com a revelação de um esquema de descontos irregulares em seus benefícios.
A situação veio à tona com a deflagração da Operação Sem Desconto, uma ação conjunta da Polícia Federal (PF) e da Controladoria-Geral da União (CGU), que expôs uma fraude bilionária envolvendo o desvio de valores de contracheques de milhões de segurados.
Agora, já em agosto, muitos querem saber: quem participou desse esquema foi preso? Como andam as investigações? E os prejuízos, estão sendo ressarcidos?
Quem roubou o dinheiro dos aposentados do INSS foi preso?
A Operação Sem Desconto teve início em abril deste ano e desde então desdobrou-se em cinco fases, com cumprimento de mais de 200 mandados de busca e apreensão em diversos estados.
Até o momento, oito pessoas foram presas preventivamente, a maioria empresários ligados a associações e entidades suspeitas de se beneficiarem do esquema.
Essas associações mantinham convênios com o INSS para realizar descontos diretamente na folha de pagamento dos beneficiários, mas muitos desses débitos eram aplicados sem qualquer autorização dos aposentados ou pensionistas.
Logo na primeira fase da operação, seis empresários foram detidos no Ceará. Durante as ações, a Polícia Federal apreendeu veículos de luxo e bloqueou bens dos investigados que, somados, superam R$ 1 bilhão.
A quinta fase da operação, realizada em junho, resultou em mais duas prisões, desta vez em Sergipe. Esses detidos também estavam à frente de associações envolvidas no golpe e tinham patrimônio de alto valor, incluindo imóveis avaliados em R$ 12 milhões, que foram sequestrados pela Justiça.
Durante as investigações, os agentes analisaram documentos, celulares e dispositivos eletrônicos apreendidos nas sedes das associações. Esse material revelou o papel de cada envolvido no esquema, permitindo aprofundar a apuração.
Embora até agora as prisões tenham se concentrado em empresários, a operação também apontou a participação de servidores públicos, que teriam facilitado o acesso e o uso indevido de dados de segurados.
Até o momento, servidores públicos não foram presos, mas alguns funcionários do INSS foram afastados de seus cargos e estão sob investigação administrativa. O INSS tomou medidas para evitar novos casos e, atualmente, poucas pessoas do órgão podem autorizar descontos.
Governo Federal e INSS começaram a devolver valores descontados indevidamente
Com o avanço das apurações, o governo federal começou a devolver os valores cobrados indevidamente dos beneficiários.
A primeira etapa de ressarcimentos foi iniciada em 24 de julho, contemplando cerca de 533 mil segurados que contestaram os débitos e solicitaram a devolução.
Esses reembolsos estão sendo pagos junto com os benefícios mensais, seguindo a ordem de adesão ao acordo firmado entre o governo e o Supremo Tribunal Federal (STF).
Para receber a devolução, os aposentados e pensionistas precisam registrar o pedido por meio do site ou aplicativo Meu INSS, ou ainda em agências dos Correios. Não há necessidade de apresentar documentos ou ingressar com ações judiciais.
O prazo para solicitar o ressarcimento vai até 14 de novembro de 2025. Os pagamentos serão realizados em lotes diários, com previsão de atender até 100 mil pessoas por dia, de acordo com a ordem de solicitação.
Enquanto os responsáveis pela fraude já começam a ser responsabilizados, o trabalho de investigação continua, e novas fases da operação não estão descartadas.





