O caso do jovem conhecido como Vaqueirinho surpreendeu o Brasil no último domingo (30), quando ele escalou barreiras de segurança, entrou no recinto de uma leoa no Parque Zoobotânico Arruda Câmara, em João Pessoa, e acabou morto pelo animal.
As imagens que circularam rapidamente levantaram dúvidas sobre quem era aquele rapaz e que fatores o levaram a agir de forma tão arriscada.
Com o avanço das investigações e o resgate de informações sobre sua trajetória, começa a se formar um retrato mais claro de sua vida, marcada por abandono, transtornos mentais e sucessivas falhas no cuidado estatal.
Quem é Vaqueirinho, jovem que pulou em jaula de leoa em João Pessoa
Gerson de Melo Machado, de 19 anos, era chamado de Vaqueirinho desde a infância. Cresceu em situação de extrema vulnerabilidade e teve acompanhamento do Conselho Tutelar por quase uma década.
Aos 10 anos, foi encontrado sozinho por agentes da Polícia Rodoviária Federal em uma rodovia paraibana. Era filho de uma mulher com esquizofrenia e neto de uma família também afetada por transtornos psiquiátricos, o que comprometeu qualquer chance de convivência estável.
Ele passou por diferentes instituições de acolhimento e, ao longo dos anos, acumulou episódios de fuga, surtos e conflitos com autoridades.
Documentos judiciais revelam que Gerson foi diagnosticado com esquizofrenia ainda na infância e fazia acompanhamento psiquiátrico desde os 7 anos. Crises frequentes levaram a diversas passagens pela polícia, situações de risco e períodos em que foi encaminhado ao CAPS.
Em outubro, a Justiça o considerou inimputável em um processo por dano ao patrimônio e determinou sua internação imediata em um hospital de custódia. O mandado, porém, não chegou até ele.
Nos dias que antecederam a morte, funcionários do sistema prisional relatavam publicamente preocupação com seu estado mental e insistiam que ele precisava de tratamento adequado.
Vaqueirinho escalou cerca e entrou na área de leoa, onde foi morto
No domingo, Gerson conseguiu escalar uma parede de cerca de seis metros, ultrapassou grades, subiu em uma árvore e entrou na área da leoa Leona. Equipes de segurança do parque tentaram deter a ação, mas não houve tempo. O ataque foi fatal.
A prefeitura afirmou que o recinto seguia todas as normas técnicas e que as barreiras ultrapassavam os requisitos mínimos. A administração do parque classificou o episódio como imprevisível e destacou que o animal não será sacrificado.
Leona permanece em observação por causa do estresse provocado pela situação.
Enquanto o parque segue fechado e as autoridades analisam eventuais falhas, a história de Vaqueirinho reacende o debate sobre a rede de saúde mental e a dificuldade de garantir tratamento contínuo a jovens em situação de abandono.






