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Quase 50 anistias foram aprovadas no Brasil

Por Karoline Calumbi
05/05/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Quase 50 anistias foram aprovadas no Brasil - Foto: Reprodução YouTube/MDHC

Quase 50 anistias foram aprovadas no Brasil - Foto: Reprodução YouTube/MDHC

O Brasil está prestes a alcançar a marca de 50 anistias federais aprovadas desde a Independência, em 1822. Segundo levantamento realizado pelo jornal digital Poder360, foram 48 anistias concedidas até março de 2025, com a 49ª atualmente em análise no Congresso Nacional.

O requerimento de urgência para votação do projeto que propõe o perdão aos condenados pelos atos de 8 de janeiro foi protocolado em 14 de abril de 2025 pelo líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (RJ).

A proposta reacende o debate sobre o uso político da anistia no país. Historicamente, esses perdões foram utilizados em diferentes contextos, como repressões a revoltas, reconciliação nacional, redemocratização e até mesmo para evitar punições a agentes do Estado.

Vale lembrar que a primeira anistia brasileira, em 1822, perdoou cidadãos que se opuseram à separação de Portugal. Desde então, episódios como a Confederação do Equador, Revolta da Vacina, Revolta da Chibata e a ditadura militar foram contemplados com medidas semelhantes.

Anistias é um instrumento de reconciliação ou de impunidade?

Embora a anistia tenha base legal no Código Penal e na Constituição Federal de 1988, seu uso frequente levanta questionamentos sobre sua real função. A legislação prevê que a concessão da anistia é competência do Congresso Nacional, com sanção presidencial, sendo uma ferramenta que extingue a punibilidade de crimes cometidos.

É importante mencionar que a amplitude dessa medida permite que ela vá além da simples libertação de condenados, eliminando o próprio fato criminoso.

Com isso, seu caráter muitas vezes transcende a técnica jurídica e adentra o campo político, como observado em diversos momentos da história brasileira. A anistia de 1979, por exemplo, foi marcante na transição democrática, mas também criticada por ter deixado impunes torturadores do regime militar.

Outro detalhe importante é que a anistia pode representar riscos à estabilidade democrática. Isso porque, ao perdoar crimes graves, ela pode promover a sensação de impunidade, desvalorizar o sistema de justiça e gerar frustração em vítimas e seus familiares.

A Constituição brasileira proíbe expressamente o perdão para crimes como tortura, tráfico de drogas, terrorismo e crimes hediondos, estabelecendo limites à sua aplicação.

Histórico mostra uso estratégico ao longo dos séculos

Vale mencionar que as anistias no Brasil sempre foram concedidas em momentos estratégicos. Durante a República Velha, atos como a Revolta Armada e a Revolta do Juazeiro foram perdoados. No período Vargas, beneficiaram-se tanto opositores da Revolução Constitucionalista de 1932 quanto desertores da Segunda Guerra Mundial.

Entre 1951 e 1979, foram aprovadas 12 anistias federais. Algumas visavam crimes eleitorais, injúrias contra autoridades, greves e perseguições políticas. A mais conhecida, a Lei nº 6.683, de 28 de agosto de 1979, beneficiou não apenas opositores do regime, mas também agentes do Estado envolvidos em repressão política.

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Karoline Calumbi

Karoline Calumbi

Jornalista pela UFRRJ, universidade da baixada do Rio de Janeiro. Apaixonada pela profissão e dedicada em diariamente informar e entreter os leitores.

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