Pesquisadores apoiados pela NASA revelaram um dos mapas mais detalhados já produzidos do fundo do oceano, utilizando dados do satélite SWOT (Surface Water and Ocean Topography).
Vale mencionar que o avanço representa uma mudança significativa no conhecimento sobre formações geológicas submersas e pode redefinir a forma como se compreende a dinâmica oceânica e a biodiversidade marinha global.
A descoberta revelou quase 100 mil montanhas submarinas, número mais que o dobro do que se conhecia até então. O mapeamento foi publicado na revista Science em dezembro de 2024 e é resultado da análise de um ano de dados captados pelo SWOT, um satélite desenvolvido em parceria entre a NASA e o Centro Nacional de Estudos Espaciais da França (CNES).
SWOT identifica formações ocultas no mar
O SWOT se destaca por sua capacidade de medir, com precisão centimétrica, pequenas variações na altura da superfície do mar. Isso porque formações como montes submarinos e colinas abissais geram leve atração gravitacional, criando saliências na superfície que o satélite consegue detectar.
Essas estruturas, muitas vezes invisíveis aos métodos tradicionais, podem ter menos de 500 metros de altura e ainda assim influenciar fortemente as correntes oceânicas, distribuindo calor e nutrientes em camadas profundas.
A sensibilidade do SWOT permitiu registrar detalhes geológicos que satélites anteriores não conseguiam, especialmente nas margens continentais e nas zonas de transição entre crosta oceânica e continental.
Outro detalhe importante é que as colinas abissais, por exemplo, cobrem cerca de 70% do fundo marinho e formam padrões paralelos gerados pelo afastamento das placas tectônicas. Além de oferecer pistas sobre a movimentação geológica do planeta, essas estruturas afetam diretamente os fluxos de marés e as correntes profundas.
Centros de vida e biodiversidade
Além da relevância geológica, as montanhas submarinas são essenciais para a biodiversidade marinha. São habitats ideais para recifes de corais, esponjas, anêmonas, crustáceos, peixes, cefalópodes e até tubarões.
Isso porque a topografia elevada tende a concentrar nutrientes em suas encostas, funcionando como verdadeiros oásis em regiões que, de outra forma, seriam desertas.
Vale mencionar que apenas 25% do fundo do oceano foi mapeado com alta resolução por sonar. Sendo assim, o uso de satélites como o SWOT representa um avanço notável na missão de compreender melhor o relevo submarino.





