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Pronúncia errada de “recorde” pode fazer Globo perder R$ 10 milhões

Por Leticia Florenço
20/02/2026
Em Colunas, Mais Tendências
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Pronúncia errada de "recorde" pode fazer Globo perder R$ 10 milhões

Uma ação civil pública apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF) em Minas Gerais colocou a TV Globo no centro de uma polêmica linguística incomum envolvendo ‘recorde’.

O procurador Cléber Eustáquio Neves pede a condenação da emissora ao pagamento de R$ 10 milhões por suposta “lesão ao patrimônio cultural imaterial da língua portuguesa”, motivada pela forma como a palavra “recorde” vem sendo pronunciada em seus programas.

Segundo a petição inicial, repórteres e apresentadores estariam adotando uma prosódia considerada incorreta, o que, na avaliação do autor da ação, poderia influenciar negativamente a população devido ao alcance nacional da emissora.

O ponto central da discussão

O debate gira em torno da sílaba tônica da palavra “recorde”. Para o procurador, trata-se de uma palavra paroxítona, reCORde e, portanto, não deveria receber ênfase na primeira sílaba.

Na ação, ele sustenta que a pronúncia difundida em rede nacional gera um “efeito manada”, contribuindo para a disseminação do que classifica como erro de prosódia.

A argumentação enfatiza que, quando um grande veículo repete determinada forma de falar, tende a consolidá-la no uso popular, ampliando o impacto do suposto equívoco.

Programas e apresentadores citados

Para sustentar a acusação, o MPF anexou trechos de programas da emissora, entre eles o Jornal Nacional, o Globo Esporte e o Globo Rural. Em um dos vídeos, o procurador questiona a forma utilizada pelo jornalista César Tralli, âncora de telejornais da casa.

O material foi incluído como prova de que a prática seria reiterada e sistemática dentro da programação.

A tese jurídica apresentada

Na ação, o procurador argumenta que concessionárias de radiodifusão exercem função pública relevante e, por isso, devem observar rigorosamente a norma culta da língua portuguesa.

Ele sustenta que a emissora atua como agente difusor de padrões linguísticos e que eventuais desvios não seriam mera escolha estética, mas questão de interesse coletivo.

O MPF defende ainda que a repetição do suposto erro violaria o direito difuso da sociedade de receber programação com finalidade educativa e informativa.

O que a Justiça pode determinar

Além da multa milionária, o Ministério Público Federal em Minas Gerais pede que a TV Globo seja obrigada a fazer uma correção pública em rede nacional sobre a pronúncia da palavra “recorde”. Também foi solicitada liminar para que a medida seja implementada com urgência.

A notificação ocorreu antes do Carnaval, e a emissora ainda não havia apresentado defesa até o momento mencionado na ação, embora a manifestação seja esperada.

Independentemente do desfecho judicial, a ação já provoca reflexões sobre o papel das grandes emissoras na formação do padrão linguístico no Brasil e sobre os limites entre correção normativa e evolução natural da língua.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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