Uma recente ação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) revelou um cenário alarmante no setor de cosméticos capilares.
Durante a operação “Alisamento Seguro”, realizada em junho com apoio das vigilâncias sanitárias do estado de São Paulo e de municípios paulistas, agentes da Anvisa fiscalizaram fabricantes de alisantes capilares — popularmente conhecidos como progressivas — que operavam de forma irregular.
O objetivo da operação foi verificar se os produtos estavam devidamente registrados e se as fábricas seguiam as normas sanitárias exigidas por lei.
Progressivas com matéria-prima vencida são proibidas pela Anvisa
As inspeções aconteceram após o recebimento de diversas denúncias ao longo dos últimos dois anos. Sete empresas foram alvos da operação e, em todas, foram constatadas falhas graves.
Uma das infrações mais preocupantes foi o uso de matéria-prima vencida na formulação dos alisantes, o que representa risco direto à saúde dos consumidores.
Além disso, muitas dessas fábricas operavam sem licença sanitária válida, utilizavam ingredientes não autorizados — como o ácido glioxílico e o formol — e não seguiam os protocolos de controle de qualidade.
A fiscalização encontrou ainda estruturas precárias, ausência de rotulagem adequada, equipamentos sem manutenção e locais sem condições básicas de higiene.
Em um dos casos mais graves, uma empresa recebeu toneladas de ácido glioxílico sem qualquer tipo de controle ou documentação sobre a origem e o destino da substância.
Algumas empresas sequer produziam os produtos que registravam, servindo apenas como fachada para legalizar alisantes fabricados por terceiros sem qualquer padrão técnico ou sanitário.
Lista das empresas inspecionadas pela Anvisa
Confira a seguir as empresas inspecionadas e a situação constatada pela Anvisa:
| Empresa | Município | Situação |
|---|---|---|
| Evolution Ind. e Com. de Cosméticos | Mairiporã | Licença sanitária cancelada e auto de infração |
| SL Ind. e Com. Ltda. | Mairiporã | Interdição parcial com penalidades |
| Hiro do Brasil Ind. de Cosméticos | Dumont | Suspensão de fabricação e multa aplicada |
| HRT do Brasil Ind. e Com. de Cosméticos | Sumaré | Estabelecimento interditado |
| Maria das Graças Oliveira da Silva | Santópolis do Aguapeí | Interditada por irregularidades |
| Pack For You Ind. e Com. de Cosméticos | Piratininga | Interditada parcialmente |
| Pack To You Ind. e Com. de Cosméticos | Piratininga | Endereço irregular e interdição parcial |
Anvisa divulga dicas de proteção para consumidores
Para se proteger, a Anvisa orienta que consumidores sempre verifiquem se o produto está devidamente registrado no portal da agência. O número do processo Anvisa deve estar claramente visível no rótulo.
Produtos sem esse registro estão em situação irregular e podem causar danos graves, como queimaduras, queda capilar e reações alérgicas severas.
Profissionais de beleza devem recusar o uso de produtos duvidosos, seguir as normas de segurança e manter o ambiente de trabalho ventilado.
A adição de substâncias proibidas como formol em cosméticos pode configurar crime, e denúncias podem ser feitas pelo sistema e-Notivisa.





