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Professores da educação básica podem ter novo piso salarial

Por Leticia Florenço
12/12/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Professores - Reprodução/iStock

Professores - Reprodução/iStock

A aprovação, em caráter conclusivo, do novo piso salarial para trabalhadores técnicos, administrativos e operacionais da educação básica pública abriu espaço para uma discussão mais ampla sobre o papel desses profissionais na estrutura escolar.

Embora não atuem diretamente em sala de aula, eles garantem que o ambiente educacional funcione, e a falta de valorização sempre foi um ponto sensível. Agora, com a nova proposta, parte desse cenário pode começar a mudar, dependendo dos próximos passos no Congresso.

O que o novo piso estabelece

O texto aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça determina que esses profissionais passem a receber 75% do piso salarial nacional dos professores.

A medida cria um patamar mínimo para todo o país, impedindo que Estados e municípios estabeleçam remunerações muito abaixo disso, o que ocorria com frequência em regiões de menor investimento.

Apesar do avanço, a proposta não interfere na estrutura de carreira de cada ente federado, que continua responsável por organizar remunerações adicionais, gratificações e progressões.

Quem será diretamente beneficiado

A medida atende trabalhadores responsáveis pelo funcionamento cotidiano das escolas: assistentes administrativos, técnicos educacionais, auxiliares operacionais e profissionais de apoio.

Mesmo fundamentais, esses grupos convivem com salários historicamente defasados e condições de trabalho que nem sempre acompanham a importância de suas funções. O novo piso oferece uma perspectiva de maior dignidade e reforça a relevância dessas categorias dentro do ambiente escolar.

O posicionamento do relator e os argumentos apresentados

O deputado Danilo Forte, relator da proposta, destacou que a intenção é valorizar segmentos essenciais sem interferir na autonomia de Estados, Distrito Federal e municípios.

A ideia é garantir um valor mínimo nacional que sirva de base, deixando a cada governo local a responsabilidade pelos demais critérios. Segundo ele, trata-se de uma forma de reconhecer o impacto desses profissionais na qualidade geral da educação.

A polêmica sobre a atualização anual

Um dos pontos alterados durante a tramitação foi a retirada do dispositivo que previa atualização anual automática do piso, utilizando o mesmo índice de reajuste aplicado ao magistério.

Essa mudança ocorreu após análise da Comissão de Finanças e Tributação, que argumentou sobre o impacto fiscal que uma regra automática poderia gerar.

Com isso, a atualização do piso deixa de ser obrigatória e passa a depender de futuras negociações ou legislações específicas, o que pode gerar debates intensos no Senado.

Impactos esperados para o sistema educacional

A adoção de um piso nacional deve reduzir distorções salariais entre Estados e criar melhores condições de trabalho para quem atua na base da estrutura escolar.

Profissionais mais valorizados tendem a contribuir para um ambiente organizacional mais estável, o que reflete na rotina das escolas e, indiretamente, no desempenho dos estudantes.

No entanto, a mudança também exige esforço financeiro dos governos locais, especialmente de municípios pequenos, que terão de reorganizar orçamentos para cumprir o novo mínimo.

O caminho que ainda precisa ser percorrido

Embora a aprovação na CCJ represente um avanço significativo, o texto ainda precisa seguir ao Senado, a menos que haja recurso pedido por algum deputado para levar a discussão ao Plenário. Se aprovado pelos senadores, a proposta seguirá para sanção presidencial.

O impacto prático da medida, porém, dependerá da capacidade dos entes federados de implementá-la, o que pode exigir diálogo, ajustes administrativos e planejamento orçamentário.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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