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Professora de 73 anos trabalha há 50 anos e não quer se aposentar

Por Leticia Florenço
30/06/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Aposentadoria - Foto: (Imagem/Reprodução)

Aposentadoria - Foto: (Imagem/Reprodução)

Mesmo com meio século de dedicação ao ensino e aposentadoria formal garantida há anos, a pedagoga Marilena Gonçalves, de 73 anos, segue lecionando com entusiasmo na mesma instituição onde começou em 1975.

Professora da Escola Suíço-Brasileira, ela se tornou uma figura emblemática da comunidade escolar, acumulando histórias de gerações e sendo referência para colegas e ex-alunos.

A professora Marilena Gonçalves trabalha há mais de 50 anos na mesma escola, na Barra
Foto: Arquivo pessoal

Trajetória começou com uma aula por semana

Formada no curso Normal, Marilena iniciou sua trajetória como orientadora educacional, uma vez por semana, na então recém-inaugurada unidade da Escola Suíço-Brasileira, em Santa Teresa, no Rio.

Aos poucos, passou a dar aulas de português, artes e estudos sociais para turmas do ensino médio. Atualmente, ministra português, história, geografia e ciências para alunos do 5º ano, agora com carga horária reduzida.

A mudança da escola para a Barra da Tijuca, em 2002, foi motivada pelo aumento da violência no bairro.

Adaptada ao presente sem perder a essência

Durante cinco décadas de carreira, Marilena acompanhou mudanças profundas no ambiente escolar, da ditadura militar ao ensino remoto durante a pandemia. Ela afirma que o período de isolamento foi um de seus maiores desafios profissionais.

A diretora da instituição, Rachel Guanabara, destaca a importância de Marilena para o ambiente escolar: “Ela é inspiração diária. Suas aulas encantam os alunos, são dinâmicas e bem-humoradas, sem abrir mão da seriedade e da competência pedagógica.”

Vínculo afetivo com gerações

O impacto de Marilena ultrapassa os limites da sala de aula. Sua presença na escola é lembrada com carinho por ex-alunos que hoje ocupam diferentes profissões.

O envolvimento com os alunos também moldou a própria formação da professora. Na década de 1980, ela começou a estudar alemão após um aluno estrangeiro, que chorava por não entender português, se oferecer para ensiná-la palavras básicas do idioma.

Para Marilena, continuar trabalhando não é sacrifício, é escolha. Aos 73 anos, diz que não pensa em deixar as salas de aula tão cedo. E se depender da disposição e do entusiasmo, o legado que construiu nas últimas cinco décadas ainda deve se prolongar por muitas lições.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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