Tecnicamente, a tarifa de até 50% sobre os produtos brasileiros imposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, só entra em vigor a partir do dia 1º de agosto. Porém, a decisão já está resultando em efeitos colaterais.
Isso porque muitos importadores do país norte-americano estão cancelando suas encomendas, temendo que elas só sejam entregues em agosto e, consequentemente, sejam taxadas. Além disso, muitos empresários brasileiros estão diminuindo a produção para tentar minimizar os prejuízos.
Embora a incerteza sobre os verdadeiros efeitos da tarifa tenha se manifestado de forma geral, existem alguns setores em específico que estão enfrentando as situações descritas, sendo eles:
Carne bovina
De acordo com o Sindicato das Indústrias de Frios, Carnes e Derivados de Mato Grosso do Sul e o governo do estado, pelo menos quatro frigoríficos interromperam a produção de carne voltada ao mercado estadunidense.
Para tentar reduzir ainda mais os efeitos negativos da tarifa, especialistas apontam que estes frigoríficos tentarão direcionar o produto a outros países, expandindo ainda mais o mercado.
Mel
O Brasil é um dos maiores produtores de mel do mundo, e estima-se que os Estados Unidos consomem cerca de 80% do mel produzido no. Contudo, no dia 9 de julho, data em que a tarifa de Trump foi anunciada, grandes encomendas foram canceladas.
Isso inclui um carregamento de mel orgânico produzido pelo Piauí, que é um dos líderes da produção nacional. Por conta do cancelamento do envio, as empresas terão que lidar com um custo extra para armazenar o produto corretamente.
Madeira
A madeira está entre os dez produtos mais exportados para os Estados Unidos, chegando a uma porcentagem de 42,4%. Entretanto, a decisão de Trump fez com que a indústria madeireira do Paraná, que é um dos principais importadores do produto, recuasse.
Segundo informações do portal g1, uma fábrica localizada em Jaguariaíva chegou até mesmo a anunciar férias coletivas para os funcionários. E vale destacar que a tarifa também impactou a exportação de móveis do material.
Pescados
O comércio de pescados entre o Brasil e os Estados Unidos existe centenas de anos, mas chegou ao fim 24 horas após o anúncio da nova tarifa, uma vez que empresários estadunidenses suspenderam suas compras.
Por conta disso, diversos contêineres de peixes, lagostas e camarões precisaram ser desembarcados nos principais portos do Nordeste, e muitos produtores podem acabar ficando em situações vulneráveis.
Rochas naturais
Na última quarta-feira (16), o embarque de rochas naturais, como o granito e mármore, foi suspenso por compradores dos Estados Unidos, embora muitas empresas do setor afirmem que os pedidos não foram cancelados.
Estima-se que, até junho deste ano, os Estados Unidos compraram, em média, 66% das rochas naturais do Espírito Santo, que é líder nacional deste tipo de produto. E considerando que grande parte da receita do setor vêm do estado, o ocorrido pode causar impactos severos na indústria nacional.






