Produtores de mandioca do Norte do Brasil enfrentam perdas severas por causa de um fungo que vem avançando sem pausa sobre os cultivos.
A praga, ainda recente no país, já compromete a renda de famílias inteiras e pressiona autoridades e pesquisadores a agir com rapidez.
Em muitas comunidades, a mandioca não é apenas uma cultura agrícola. É base da alimentação, do comércio local e da segurança econômica de centenas de pequenos agricultores. A chegada do patógeno abalou essa estrutura.
Produtores estão perdendo muito dinheiro com fungo destruidor
O agente responsável pelo surto é o fungo Ceratobasidium theobromae, também chamado de Rhizoctonia theobromae. Ele foi detectado pela primeira vez no Amapá em 2023, em uma área indígena próxima à fronteira com a Guiana Francesa.
No mesmo período, pesquisadores franceses e guianenses identificaram o mesmo problema do outro lado da fronteira, o que levantou a hipótese de que o patógeno já circulava de forma silenciosa entre os dois países.
Desde então, sua presença se espalhou para outras regiões do Norte, atingindo também o Pará.
A doença provoca o que os agricultores passaram a chamar de vassoura-de-bruxa da mandioca. Os ramos formam brotos finos que secam rapidamente, e a planta perde vigor até morrer.
Estudos realizados no Brasil e em centros internacionais mostram que o fungo invade os vasos que transportam água e nutrientes, bloqueando o fluxo interno da planta. Em alguns casos, forma ainda uma película branca na superfície das gemas e da base das folhas.
O quadro é grave o bastante para causar prejuízos que já superam, em muitas localidades, boa parte da colheita prevista.
Fungo se torna mais agressivo no clima amazônico
O avanço rápido da praga tem relação direta com o clima amazônico. Pesquisadores alertam que a umidade constante pode tornar o fungo ainda mais agressivo do que em países do Sudeste Asiático, onde ele destruiu de 40 a 60 por cento das plantações de mandioca.
Na Amazônia, a condição quente e úmida se mantém praticamente o ano todo, criando um ambiente perfeito para a dispersão dos esporos, que são leves e viajam facilmente pelo vento.
Para tentar conter o surto, equipes da Embrapa e do Ministério da Agricultura intensificaram ações de campo. As orientações incluem eliminar e queimar plantas doentes, desinfetar ferramentas e roupas usadas nas áreas afetadas e aplicar fungicidas específicos.
Em casos extremos, recomenda-se substituir temporariamente os roçados por outras culturas, como a banana, para garantir renda mínima às comunidades. O desafio agora é impedir que o fungo siga avançando e evitar um impacto ainda maior na produção de alimentos da região.





