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Presídios em exterior são infiltrados pelo PCC

Por Leticia Florenço
25/06/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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PCC - Reprodução

PCC - Reprodução

A facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), originada nas penitenciárias paulistas, ultrapassou fronteiras e se transformou em uma organização com atuação global. Um mapeamento inédito do Ministério Público de São Paulo revelou que o grupo já se infiltrou em presídios e estruturas criminosas de pelo menos 28 países.

O avanço do PCC no exterior não se limita ao tráfico de drogas e armas; ele também representa uma nova frente de recrutamento e lavagem de dinheiro, preocupando autoridades internacionais.

O levantamento, apresentado a embaixadas e consulados para estimular parcerias contra o crime transnacional, identifica a presença do PCC em quatro continentes. Os principais focos estão na América do Sul e Europa, mas a facção também já se instalou na América do Norte, Ásia e até no Oriente Médio.

Infiltração estratégica em presídios

A atuação nos sistemas prisionais estrangeiros é uma das estratégias mais preocupantes. Em países onde a facção já se estabeleceu, o PCC repete seu modus operandi brasileiro: recruta detentos, impõe disciplina interna e começa a consolidar uma rede de influência dentro e fora das cadeias.

Essa tática facilita a expansão ideológica e organizacional da facção, conforme explica o promotor Lincoln Gakiya. A estrutura rígida e o modelo de funcionamento adotado em São Paulo se replicam em ambientes prisionais onde o Estado tem pouco controle, criando oportunidades para o crescimento da facção.

De trânsito a moradia

Enquanto no passado o deslocamento de membros do PCC para outros países era temporário e voltado a negócios pontuais, hoje há um movimento de fixação territorial.

A pesquisadora Camila Nunes Dias, da UFABC, alerta que a permanência é um indicativo da intenção de estruturar núcleos organizados, com recrutamento de nativos e domínio territorial, uma ameaça à segurança pública internacional.

Parcerias criminosas e cooperação internacional

O PCC não atua de forma isolada. As investigações revelam conexões com outras organizações criminosas, como a máfia italiana, com quem compartilham rotas, logística e técnicas de lavagem de dinheiro.

Essa aliança fortalece o tráfico de drogas entre América do Sul e Europa, utilizando portos e até submarinos artesanais, como o recentemente apreendido em Portugal com 6,5 toneladas de cocaína.

O avanço do PCC levou Brasil e Itália a firmarem acordos bilaterais para criação de equipes permanentes de investigação conjunta, com o objetivo de enfrentar o crime organizado em rede.

Rota da cocaína

A maioria dos integrantes no exterior ainda está concentrada na América Latina, especialmente em países com fronteira com o Brasil e forte produção de cocaína, como Paraguai, Bolívia e Venezuela.

No Paraguai, a presença do PCC já resultou em episódios violentos, como a rebelião em San Pedro, em 2019, que deixou dez mortos. O controle das cadeias por facções leva à disputa sangrenta entre grupos rivais e à corrosão da autoridade estatal.

Sintonia internacional

O núcleo responsável por essa expansão é chamado de “Sintonia dos Estados” e “Sintonia dos Países”. Esse setor cuida da coordenação das atividades internacionais, com monitoramento remoto, repasse de ordens e alinhamento ideológico entre os membros no Brasil e no exterior.

As informações do relatório foram reunidas por meio da quebra de sigilos telefônicos e telemáticos, além da cooperação com autoridades estrangeiras. O avanço tecnológico do PCC também é alarmante: a facção aprendeu a transferir grandes quantidades de dinheiro por vias informais, dificultando o rastreamento pelas autoridades.

Países com presença confirmada do PCC

Por ordem alfabética, o mapeamento apontou a presença da facção nos seguintes países:

  • Alemanha
  • Argentina
  • Bélgica
  • Bolívia
  • Chile
  • Colômbia
  • Equador
  • Espanha
  • Estados Unidos
  • França
  • Guiana Francesa
  • Guiana
  • Holanda
  • Inglaterra
  • Irlanda
  • Itália
  • Japão
  • Líbano
  • México
  • Paraguai
  • Peru
  • Portugal
  • Sérvia
  • Suíça
  • Suriname
  • Turquia
  • Uruguai
  • Venezuela

A capacidade da facção de operar além das fronteiras, infiltrar presídios, consolidar parcerias com outras máfias e lavar dinheiro internacionalmente indica que não se trata mais de uma organização local, mas de um cartel global altamente organizado.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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