O Natal Luz sempre foi sinônimo de encanto, turismo e economia aquecida. Porém, desta vez, o brilho das luzes deu lugar a uma polêmica que abalou a tranquilidade da cidade.
A Justiça do Rio Grande do Sul condenou o prefeito de Gramado, Nestor Tissot (PP), e mais sete pessoas por irregularidades na organização do evento. A decisão envolve acusações de desvio e mau uso de recursos públicos destinados a uma das festas natalinas mais famosas do país.
Para muitos moradores e empresários locais, a notícia pegou em cheio o orgulho de viver em uma cidade que virou referência nacional em turismo natalino.
O evento que move a economia da cidade
O Natal Luz não é apenas um espetáculo visual, ele é motor econômico. Durante meses, turistas de todas as regiões do Brasil e do exterior visitam Gramado para acompanhar desfiles, concertos e shows. Hotéis, pousadas, restaurantes e lojas dependem diretamente desse fluxo de visitantes.
Por isso, qualquer sinal de irregularidade na gestão do evento atinge não só as contas públicas, mas também toda uma cadeia de empregos e negócios que gira em torno do espetáculo. A festa movimenta milhões de reais, e a expectativa anual sempre é de arrecadação recorde.
A investigação concluiu que houve irregularidades contratuais na administração do evento. Segundo a sentença, contratos foram direcionados e valores teriam sido desviados por meio da estrutura que deveria organizar o Natal Luz.
A Justiça entendeu que houve favorecimento de empresas e falta de transparência no uso do dinheiro público, considerado essencial para a realização do evento em grande escala. Foram anos de apuração até que o caso chegasse ao julgamento e resultasse na condenação dos envolvidos.
Condenação e consequências políticas
Seis dos réus tiveram seus direitos políticos suspensos por um período que varia de 7 a 10 anos. Entre eles está o prefeito Nestor Tissot, que recebeu a punição mais severa. A suspensão de direitos políticos impede que o condenado vote, seja votado ou ocupe cargos públicos durante o período determinado.
Mesmo assim, Tissot não será afastado imediatamente do cargo, pois a decisão ainda cabe recurso, e enquanto houver possibilidade de recorrer, ele permanece na prefeitura. A defesa do prefeito foi procurada, mas não apresentou resposta até o momento.
Reação da cidade e impacto na imagem de Gramado
A repercussão foi imediata. Em uma cidade onde o turismo é o coração da economia, qualquer mancha no principal evento do calendário é motivo de preocupação. Parte da população demonstra apoio ao prefeito, argumentando que o Natal Luz cresceu justamente durante suas gestões.
Outros, no entanto, enxergam a condenação como um alerta para a necessidade de transparência e fiscalização rigorosa do dinheiro público. Entre empresários, o sentimento é de apreensão: a imagem de Gramado está diretamente ligada ao evento, e qualquer escândalo pode interferir na percepção dos turistas.
Agora, o processo segue para uma nova fase. Com a possibilidade de recurso, o caso ainda pode levar meses, ou até anos, para um desfecho definitivo. Enquanto isso, o Natal Luz continua acontecendo, iluminando ruas e encantando visitantes.






