A Praia dos Ingleses, um dos cartões-postais mais conhecidos de Florianópolis, passou por uma vistoria técnica realizada pela prefeitura após moradores denunciarem o lançamento irregular de esgoto na região.
O problema chamou a atenção por conta do mau cheiro constante e da poluição visível na faixa de areia e na água do mar, o que levantou suspeitas sobre falhas no sistema de saneamento.
Durante a inspeção, realizada em três pontos distintos, os fiscais observaram a presença de efluentes com coloração e turbidez atípicas em um trecho próximo à praia. A suspeita é de que haja uma ligação clandestina conectada a uma rede de drenagem pluvial que estaria inativa.
Apesar disso, a prefeitura informou que não houve confirmação imediata de que se tratava de esgoto sanitário, mas destacou que uma nova vistoria técnica será feita para aprofundar a análise.
Extravasamento de fossa séptica é encontrado em área pública
Em outro local vistoriado, a equipe encontrou uma situação ainda mais preocupante: o extravasamento de uma fossa séptica que estava despejando esgoto diretamente sobre a calçada.
Esse tipo de ocorrência caracteriza esgoto a céu aberto e representa risco tanto para o meio ambiente quanto para a saúde pública, podendo contaminar o solo e a água da região.
Lavação de carros é flagrada descartando efluentes sem tratamento
A fiscalização também identificou irregularidades em um estabelecimento destinado à lavação de automóveis. O local descartava efluentes sem as adequações exigidas pela legislação ambiental, como a ausência de caixas separadoras de água e óleo e de caixa de gordura.
Sem esse tratamento adequado, resíduos químicos podem acabar chegando à rede de drenagem e, consequentemente, ao mar.
Casan participa da ação e coleta água para análise laboratorial
A vistoria contou com o apoio da Casan, a Companhia Catarinense de Águas e Saneamento, que realizou a coleta de amostras da água que saía da drenagem suspeita.
O material será analisado em laboratório para verificar se há contaminação por esgoto sanitário, o que ajudará a esclarecer a origem da poluição relatada pelos moradores.
Os dados de balneabilidade divulgados pelo Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina mostram um cenário preocupante para o ponto investigado. Ao longo de 2025, foram realizadas 48 análises semanais, e em 25 delas o trecho foi classificado como impróprio para banho.
Isso significa que a área permaneceu contaminada em cerca de 52% das coletas realizadas no período.
Prefeitura afirma que acompanha os relatórios e mantém ações de fiscalização
A administração municipal declarou que monitora constantemente os relatórios de qualidade da água e que o local já vinha sendo alvo de inspeções técnicas por meio da operação Blitz Sanear.
Essa ação integrada busca identificar ligações clandestinas de esgoto e impedir o lançamento indevido de efluentes na rede de drenagem urbana.





