Nos últimos meses, uma enxurrada de publicações nas redes sociais tem gerado confusão sobre a comercialização de bebidas destiladas no Brasil.
Mensagens compartilhadas em diferentes plataformas afirmam que 30% dos destilados vendidos no país seriam falsos, citando supostamente um estudo da Associação Brasileira de Bebidas Destiladas (ABBD). A realidade, porém, é bastante diferente.
A verdade por trás dos números
A ABBD realmente encomendou um estudo à Euromonitor International, mas o dado sobre os 30% não se refere a bebidas falsificadas. Esse percentual corresponde ao total de bebidas ilegais comercializadas no Brasil, incluindo diversas práticas irregulares.
Quando analisamos especificamente a falsificação, ela representa apenas 4,7% do total de bebidas destiladas no mercado.
Ou seja, a grande maioria dos destilados ilegais não é falsificada, mas envolve outras formas de irregularidade, que vão muito além de rótulos e embalagens adulteradas.
Mercado ilegal movimenta bilhões
O estudo da Euromonitor, divulgado em setembro de 2025 com dados de 2024, revela que o mercado ilegal de bebidas alcoólicas movimentou R$ 55 bilhões no ano passado.
Esse valor corresponde a quase 13% do total do setor, mostrando que a ilegalidade no segmento é um problema significativo, mas que precisa ser compreendido com precisão, sem distorções.
Tipos de irregularidades identificadas
A pesquisa apontou seis principais tipos de ilicitude no mercado de bebidas alcoólicas:
- Falsificação: Produtos que tentam se passar por marcas legítimas.
- Contrabando: Bebidas importadas de forma ilegal, sem pagamento de impostos.
- Produção sem registro: Destilados fabricados sem autorização ou registro nos órgãos competentes.
- Álcool substituto: Produtos que usam álcool industrial ou etanol não próprio para consumo.
- Evasão de impostos: Venda de produtos com tributação irregular ou sonegação fiscal.
- Perda fiscal: Receitas não registradas que impactam o setor e o governo.
A falsificação, embora seja a mais comentada nas redes sociais, é apenas uma fração desse cenário complexo.
Consequências da desinformação
Postagens incorretas podem gerar prejuízos aos consumidores, que passam a acreditar que grande parte do que compram é falsificado.
Além disso, essa desinformação prejudica a imagem das marcas legítimas e dificulta a compreensão do problema real, o mercado ilegal de bebidas envolve muito mais do que produtos adulterados.
Especialistas reforçam que é importante verificar fontes confiáveis antes de compartilhar números e conclusões. Entender a diferença entre bebidas ilegais e bebidas falsificadas é fundamental para que políticas de fiscalização, campanhas de conscientização e ações do setor sejam eficazes e direcionadas corretamente.





