Um estudo divulgado na revista Nature no final de outubro, revelou novos dados sobre por que a vacina contra a gripe tende a ser menos eficaz em pessoas idosas do que em indivíduos mais jovens. Segundo os pesquisadores, essa diferença está associada a alterações naturais que ocorrem no organismo com o envelhecimento, afetando a resposta do sistema imunológico.
As conclusões do estudo podem servir de base para a criação de estratégias capazes de contornar essas mudanças e melhorar a eficácia dos imunizantes entre os idosos. Para isso, os cientistas analisaram 300 adultos com idades entre 25 e 90 anos, utilizando o sequenciamento de RNA, uma técnica avançada que permite examinar a expressão genética e, neste caso, avaliar em detalhes a atividade das células do sistema imune.
Vacinas em idosos
Do total de participantes, 96 foram acompanhados durante dois anos, recebendo a vacina contra a gripe nesse período. A análise resultou em um banco de dados contendo informações de mais de 16 milhões de células, distribuídas em 71 subtipos do sistema imunológico, permitindo uma investigação aprofundada das respostas celulares.
Os pesquisadores identificaram alterações nas células T, essenciais para coordenar a ação do sistema imunológico, incluindo a ativação das células B, responsáveis pela produção de anticorpos. Com o envelhecimento, especialmente a partir dos 65 anos, essas células T apresentam modificações genéticas que comprometem a capacidade de reconhecer os antígenos das vacinas. Consequentemente, a produção de anticorpos pelas células B é prejudicada, contribuindo para a menor eficácia da vacinação contra a gripe em pessoas idosas.
Novas abordagens
A pesquisa destaca a importância de criar vacinas e estratégias direcionadas para pessoas mais velhas. Entre as medidas atualmente adotadas estão doses de reforço e vacinas com adjuvantes, substâncias que potencializam a resposta imunológica.
Estudos futuros indicam possibilidades promissoras, como a edição genética por meio de tecnologias como CRISPR, capaz de reprogramar células e aprimorar a reação do sistema imunológico. Embora essa técnica ainda não esteja disponível para aplicação clínica, ela apresenta grande potencial para enfrentar os efeitos do envelhecimento sobre a imunidade.






