Nos últimos meses, se multiplicaram nas redes sociais os relatos de jovens aparentemente saudáveis, muitos deles atletas ou praticantes regulares de atividades físicas, que sofreram problemas cardíacos graves, alguns até fatais.
Casos de morte súbita em academias ou durante treinos têm gerado comoção e alimentado dúvidas e temores entre a população.
Afinal, por que isso está acontecendo com pessoas tão jovens e ativas? Existe uma onda real de aumento desses eventos ou estamos diante de uma impressão causada pela repercussão desses casos?
Por que atletas jovens estão com problemas cardíacos ou até morte súbita?
Segundo cardiologistas, o primeiro passo é entender que, apesar do susto que episódios assim provocam, não há uma explosão de mortes súbitas entre jovens. O número de ocorrências permanece estável ao longo dos anos, e os dados oficiais reforçam isso.
Estatísticas do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, indicam que, entre 2014 e 2023, o total anual de óbitos por parada cardíaca em pessoas com menos de 30 anos variou de 23 a 71.
Considerando que há mais de 85 milhões de brasileiros nessa faixa etária, trata-se de uma incidência extremamente baixa. O que mudou, segundo especialistas, foi a forma como esses episódios ganham visibilidade.
As redes sociais, somadas à cobertura intensa da mídia, ampliaram a percepção pública de que os casos estão se tornando mais frequentes, o que não é corroborado pelas evidências científicas.
Mas os casos de problemas cardíacos entre jovens não devem ser ignorados
Ainda assim, negligenciar o tema seria um erro. O fato de as mortes súbitas causadas por problemas cardíacos entre jovens serem raras não as torna menos trágicas ou evitáveis.
Um caso que ilustra bem essa preocupação ocorreu recentemente no Rio de Janeiro, onde uma jovem de 22 anos passou mal enquanto malhava e não resistiu.
Embora ainda não haja confirmação oficial da causa, relatos apontam que ela tinha um histórico cardíaco e fazia acompanhamento médico. O local onde o incidente aconteceu não possuía desfibrilador, apesar da exigência legal.
Outro caso que teve grande repercussão foi o do jogador uruguaio Juan Manuel Izquierdo, de 27 anos, que morreu em campo durante uma partida. Posteriormente, soube-se que ele convivia com uma arritmia diagnosticada anos antes.
Por que problemas cardíacos ocorrem entre jovens e como evitar?
Muitos dos quadros associados a mortes súbitas entre jovens têm origem genética, como a cardiomiopatia hipertrófica, que altera a estrutura do músculo cardíaco e pode gerar arritmias fatais.
Em outros casos, a estrutura do coração parece normal, e as alterações ocorrem em nível molecular, o que dificulta a detecção.
Por isso, a orientação médica é clara: pessoas com histórico familiar de problemas cardíacos, ou que apresentam sintomas como palpitações, tonturas ou desmaios, devem buscar avaliação especializada antes de iniciar exercícios intensos.
Avaliações cardiológicas também são recomendadas para atletas e indivíduos com fatores de risco, independentemente da idade que possuem.
Importante ressaltar: o exercício físico não é inimigo. Ao contrário, é um dos principais aliados da saúde cardiovascular. A chave está no equilíbrio, na informação correta e na prevenção.






