A decisão do Ministério da Saúde de não incluir a vacina contra herpes-zóster no Sistema Único de Saúde (SUS) gerou questionamentos e preocupação, especialmente entre idosos e pessoas imunossuprimidas.
A medida, publicada no Diário Oficial da União, foi baseada em uma avaliação técnica realizada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), que analisou benefícios clínicos, impacto financeiro e viabilidade de implementação em larga escala.
Benefícios reconhecidos
A Conitec reconheceu que a vacina apresenta benefícios clínicos, reduzindo o risco de infecção pelo vírus varicela-zóster, responsável pelo herpes-zóster, e prevenindo complicações como dor pós-herpética e hospitalizações.
No entanto, o grande obstáculo não foi a eficácia do imunizante, mas sim o alto custo da vacinação em uma política pública de cobertura ampla. Cada dose na rede privada pode chegar a R$ 850, e o esquema completo exige duas aplicações, tornando a implementação em larga escala financeiramente desafiadora para o SUS.
Estimativa financeira e público-alvo
O pedido de incorporação previa a oferta da vacina a idosos com 80 anos ou mais e a pessoas imunossuprimidas a partir de 18 anos. O cálculo do impacto financeiro projetou um gasto de R$ 5,2 bilhões em cinco anos, considerando a vacinação de 1,5 milhão de pessoas por ano, totalizando 6,5 milhões de indivíduos no período.
Mesmo com o desconto concedido ao governo, cada dose custando R$ 403,30, a Conitec concluiu que o valor precisaria cair para R$ 75,75 por dose para que a incorporação fosse considerada custo-efetiva para o SUS.
Rede privada x SUS
O contraste entre o preço privado e o público chama atenção. Enquanto a vacina no setor privado exige gasto médio de R$ 850 por aplicação, a proposta de incorporação no SUS buscava uma política sustentável de custo, compatível com a capacidade financeira do sistema público.
Essa diferença evidencia os desafios enfrentados para disponibilizar tecnologias de ponta a toda população brasileira sem comprometer o orçamento da saúde.
Negociações futuras e possibilidade de inclusão
Apesar da negativa, a decisão da Conitec não fecha portas para futuras negociações. Em reunião realizada em 10 de dezembro, os integrantes da comissão enfatizaram que o SUS mantém interesse no imunizante e seguirá buscando acordos que permitam preços viáveis.
O Programa Nacional de Imunizações (PNI) reforçou que continuará acompanhando a situação e negociando com fabricantes para tornar a vacinação acessível.






