A prática habitual de atividades físicas permanece vinculada à diminuição do risco de mortalidade, porém pesquisas recentes mostram que esse efeito pode sofrer redução considerável em ambientes com níveis elevados de poluição do ar.
Um estudo divulgado na revista BMC Medicine, baseado no acompanhamento de cerca de 1,5 milhão de adultos ao longo de mais de uma década em diversos países, apontou que concentrações altas de partículas finas do tipo PM2,5 — que alcançam regiões profundas do sistema respiratório — enfraquecem de maneira significativa os ganhos associados ao exercício, ainda que não os anulem por completo.
Poluição no ar
Os resultados indicaram que o efeito protetor da prática física se enfraquece de forma significativa quando a média anual de partículas finas supera 25 microgramas por metro cúbico — um patamar que atinge quase metade da população global. A equipe de pesquisa reuniu dados de sete investigações anteriores e observou que pessoas que acumulavam ao menos duas horas e meia semanais de exercícios moderados ou intensos apresentavam menor probabilidade de morrer ao longo do período monitorado.
Porém, entre aqueles submetidos a ambientes com maior carga de poluição, esse benefício foi reduzido em cerca de 50%, tornando-se ainda mais discreto em locais onde as concentrações passavam de 35 microgramas por metro cúbico, sobretudo no risco associado a mortes por câncer. Já nas regiões que permaneciam abaixo do patamar considerado crítico, os efeitos positivos da atividade física eram melhor preservados, embora ainda sujeitos a oscilações ligadas a aumentos temporários de poluentes.
Prática de exercício
Mesmo com a redução dos benefícios em ambientes poluídos, o exercício continua recomendado, desde que acompanhado de cuidados como escolher horários de menor tráfego, priorizar áreas verdes, ajustar a intensidade em dias de pior qualidade do ar ou optar por ambientes internos bem ventilados. O uso de máscaras adequadas e o monitoramento dos índices ambientais também ajudam a diminuir a exposição e manter a prática mais segura.
Para pessoas com doenças respiratórias ou cardíacas, a atenção deve ser redobrada, com acompanhamento profissional regular e observação de sinais como falta de ar, tosse persistente ou fadiga incomum. Nessas situações, adaptar a rotina de exercícios às condições do ar se torna ainda mais importante para preservar os efeitos positivos da atividade física.






